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Jornal da USP online

Melhor qualidade de vida, com dentaduras

Publicado em 20 outubro 2014

Por Maria Paula Della Vecchia e Raphael Freitas de Souza

Um trabalho de pesquisa realizado na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP busca avaliar um novo tipo de implante para ajudar a reter dentaduras completas. A pesquisa, intitulada “Sobredentaduras mandibulares retidas por mini-implantes: um ensaio clínico randomizado”, vem sendo desenvolvida desde 2011 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e levou ao tratamento gratuito de 120 pacientes que se queixavam de dificuldades com o uso de suas dentaduras.

Esses mini-implantes apresentam dimensões reduzidas e têm algumas vantagens potenciais, como menor trauma durante sua colocação e menos custo do que os implantes dentários convencionais, além de dependerem de um procedimento mais simples. Até o momento, os participantes da pesquisa relatam um impacto positivo desse tratamento sobre sua saúde bucal, com melhor capacidade de mastigar e maior conforto, bem como melhoras clínicas evidentes na firmeza da dentadura mandibular. O tratamento foi realizado apenas na arcada inferior, por ser esta a mais problemática para o paciente que perdeu seus dentes naturais. Ainda, o trabalho realizado com esses mini-implantes teve resultados animadores, se comparado aos implantes convencionais. Estes colocados em número de dois, de acordo com recomendações de consensos internacionais.

Os resultados da pesquisa mostram algumas limitações dos mini-implantes, o que poderá levar a uma decisão mais segura de quando se optar por seu uso. Em outras palavras, será possível que o dentista faça uma opção nos casos em que eles sejam mais favoráveis, e recorra a outros tratamentos quando apropriado. O custo elevado do tratamento com implantes dentários o torna impeditivo a algumas pessoas, ainda porque esse tratamento não é fornecido em larga escala pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo assim, o uso de métodos com melhor relação entre custo e efetividade pode reduzir essa demanda reprimida por tratamento odontológico mais complexo entre aqueles pacientes que perderam seus dentes naturais.

Os resultados podem fornecer base para a indicação de tratamento em clínicas odontológicas em um futuro próximo. Ainda, dados favoráveis ao uso de implantes dentários mais simples e de menor custo podem ter grande relevância para políticas públicas, já que eles seriam mais facilmente incorporados ao Sistema Único de Saúde, especificamente ao Programa Brasil Sorridente.

Apesar do avanço da odontologia preventiva, o número de indivíduos com ausência completa dos dentes naturais ainda é alto e tem levado a uma grande demanda por próteses dentárias em clínicas públicas e privadas. De acordo com dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde Bucal 2010, a porcentagem de usuários de próteses totais é de 63,1% para a faixa etária de 65 a 74 anos, sendo que a necessidade de próteses totais maxilares e mandibulares nessa população é estimada em 16% e 24%, respectivamente. Esses dados evidenciam a grande demanda por próteses dentárias em clínicas públicas e privadas.

Os mini-implantes vêm sendo bastante utilizados em países como Estados Unidos e Canadá. Porém, nenhum estudo prévio os havia comparado aos implantes convencionais, considerando-se seu desempenho em clínica, em termos de longevidade, custos do tratamento e satisfação dos pacientes.

Maria Paula Della Vecchia é doutoranda da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP

Raphael Freitas de Souza é professor da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP