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Melatonina é aliada do sono e do coração: saiba mais sobre esse hormônio

Publicado em 28 setembro 2020

Por Paulo Chaccur

Nada como uma boa noite de sono! Sim, dormir bem ajuda a recuperar as energias, superar um dia ruim, descansar o corpo e a mente. A sensação é de estar revigorado. Uma noite bem dormida beneficia a saúde e ajuda a proteger o coração. Durante o sono, o órgão trabalha de forma mais lenta. Essa redução do ritmo cardíaco permite que o organismo entre em um estado de compensação de energia.

E as boas noites de sono têm outros prós para a saúde. Um dos segredos está bem no meio da nossa cabeça, na região central do cérebro, em uma estrutura em tamanho semelhante ao de uma ervilha: a glândula pineal, responsável por produzir a melatonina, popularmente chamada de hormônio da noite ou hormônio do sono.

Fabricada naturalmente pelo corpo, a melatonina é uma substância que, além de ter como funções básicas regular o metabolismo e nos induzir a dormir, também participa do processo de reparação das nossas células, aquelas que ao longo do dia foram expostas ao estresse, a poluição e outros elementos prejudiciais. Assim, ela age como um poderoso antioxidante, combatendo os radicais livres que agridem o organismo.

O que se descobriu recentemente é que a substância atua ainda em favor do coração, protegendo o órgão contra arritmias, doença arterial coronariana, hipertensão e outros problemas que podem afetar o sistema cardiovascular.

Benefícios ao coração

A constatação foi anunciada na conclusão de um estudo divulgado recentemente no International Journal of Molecular Sciences, que teve apoio da Fapesp e participação de cientistas das universidades de São Paulo (USP) e Anhembi Morumbi.

Ao revisar 162 ensaios clínicos, os pesquisadores brasileiros apontaram que a ação do hormônio sobre a pressão arterial e a frequência cardíaca ocorre tanto nos vasos e no coração como em outras estruturas do sistema nervoso central e até mesmo sobre as mitocôndrias das células, estruturas importantes na regulação do sistema cardiovascular.

A melatonina possui efeito vasodilatador e, consequentemente, diminui a pressão arterial sistêmica, reduzindo, então, a resistência periférica, além de exercer efeito cardioprotetor devido a sua ação antioxidante.

E cada vez mais benefícios da melatonina são documentados. O hormônio também é apontado, por exemplo, como aliado no controle da ingestão alimentar, na síntese e na ação da insulina nas células e até na prevenção e tratamento do câncer.

Como obtê-la

A melatonina é um hormônio ligado ao ciclo circadiano, o popular relógio biológico. Ela começa a ser produzida pelo organismo após escurecer, por volta das 20 horas. A partir daí é como se enviasse um sinal para nosso corpo indicando que chegou a hora de se preparar para adormecer.

Seus efeitos afetam o metabolismo (que sofre alterações para entrar em jejum), o sistema cardiovascular (que reduz a pressão arterial) e a temperatura corpórea, entre outras mudanças. O nível máximo é atingido quando estamos dormindo, em sono profundo. Com o clarear do dia, a sua produção é reduzida.

No entanto, pela ação de indução do sono, tornou-se uma substância amplamente copiada e sintetizada por indústrias farmacêuticas, vendida como suplemento e comumente usada por pessoas que têm problemas para dormir. Nos Estados Unidos, por exemplo, o FDA (Food and Drug Administration) não considera a melatonina um medicamento, assim os produtos são facilmente encontrados em grandes supermercados. No Brasil só é possível obter a melatonina em farmácias de manipulação, com receita médica.

Riscos

É importante ressaltar, porém, que a suplementação da melatonina tem riscos devido a sua ampla ação no organismo, uma vez que atua na regulação do sono, do metabolismo e interage com vários sistemas do corpo, como o cardiovascular, imunológico, reprodutor e o sistema nervoso central. Por isso, antes de sair por aí em busca de suplementos, é importante consultar um especialista. Tomar suplementos de melatonina indiscriminadamente pode ter efeitos colaterais e trazer riscos para a saúde.

Entre os sintomas que o consumo em excesso ou sem a devida prescrição podem causar estão: inchaços na pele, boca ou língua, perda de consciência, depressão, irritabilidade, nervosismo, ansiedade, aumento da pressão arterial, alterações no funcionamento do fígado e até o desencadeamento de doenças crônicas, como diabetes.

A reposição hormonal deve ser cuidadosamente calculada, de maneira personalizada. É fundamental identificar se realmente existe essa necessidade, assim como avaliar a dosagem —que varia para cada indivíduo, sempre observando o hábito de sono de cada um.

Quem dorme por muitas horas, por exemplo, provavelmente produz o hormônio por mais tempo do que aqueles que precisam de menos horas de sono. Fatores como idade, peso, condição clínica e até horário de pico de produtividade devem ser considerados na hora da prescrição. Uma das indicações comuns da melatonina é para idosos, uma vez que o envelhecimento reduz naturalmente a produção da substância e, nesses casos, é recomendada a sua reposição —porém, reforçando, apenas com indicação médica.

Fonte natural

A produção normal de melatonina só existe em condição de noite escura. A luz de celulares, tablets e computadores sinaliza ao organismo que ainda é dia e, com isso, pode atrasar a produção do hormônio, gerando dificuldades para dormir.

Portanto, para aqueles que querem investir em um sono de qualidade e assim na produção natural de melatonina, as dicas são: evitar o uso intenso de iluminação artificial antes e na hora que estiver na cama, especialmente a luz azul, emitida pela tela de equipamentos eletrônicos, e reservar de 6 a 8 horas, em média, para dormir todas as noites.

Além disso, é recomendado não fazer refeições pesadas ou repletas de carboidratos simples algumas horas antes de dormir. Eles podem atrapalhar a produção interna do hormônio. O melhor é optar por alimentos fontes de aminoácido triptofano (como banana, leite, peixe, grão de bico e chocolate amargo), uma vez que a melatonina é sintetizada a partir dele, garantindo que nosso corpo continue trabalhando enquanto repousamos e se recupere para o dia seguinte.

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