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Meio ambiente/abelhas: serviço prestado por polinização na agricultura alcança R$ 43 bi no País

Publicado em 06 fevereiro 2019

O valor do serviço ambiental de polinização, feito principalmente por abelhas, para a produção de alimentos no Brasil alcançou, em 2018, um total de R$ 43 bilhões, dos quais cerca de 80% estão relacionados a quatro cultivos de grande importância para o País: soja, café, laranja e maçã.

Além disso, das 191 culturas agrícolas que produzem alimentos no Brasil, 114, ou 60%, dependem da visita de polinizadores, como as abelhas, para se reproduzir e originar frutos de melhor qualidade e maior número de sementes. Embora a lista de "visitantes" das culturas agrícolas supere 600 animais, dos quais no mínimo 250 têm potencial polinizador (como borboletas, vespas, morcegos, percevejos e lagartos), as abelhas predominam nesta função.

Esses dados constam no 1º Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil, lançado nesta quarta-feira em evento em São Paulo, na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O relatório é resultado de uma parceria entre a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (PBBSE), apoiada pelo Programa Biota-Fapesp, e a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador e foi elaborado nos últimos dois anos por um grupo de 12 pesquisadores e revisado por 11 especialistas. O grupo fez uma revisão sistemática de mais de 400 publicações de modo a apresentar o conhecimento atual e os fatores de risco que afetam a polinização, os polinizadores e a produção de alimentos no Brasil, e apontar medidas para preservá-los.

No "Sumário para Tomadores de Decisão", os pesquisadores recomendam, por exemplo, a urgente adoção de políticas públicas para integrar ações em diversas áreas, como a do meio ambiente, da agricultura, da ciência e da tecnologia. Isso porque, assinalam, o serviço ambiental (ecossistêmico) de polinização para garantir a segurança alimentar da população e a renda dos agricultores tem sido ameaçado pelo desmatamento, pelas mudanças climáticas e por agrotóxicos, entre outros fatores.

Os pesquisadores avaliaram também o grau de dependência da polinização feita por animais por 91 plantas para a produção de frutas, hortaliças, legumes, grãos, oleaginosas e de outras partes das plantas usadas para consumo humano, como o palmito ( Euterpe edulis) e a erva-mate ( Ilex paraguariensis). As análises revelaram que, para 76% delas (69), a ação desses polinizadores aumenta a quantidade ou a qualidade da produção agrícola. Nesse grupo de plantas, a dependência da polinização é essencial para 35% (32), alta para 24% (22), modesta para 10% (9) e pouca para 7% (6).

Na agricultura de larga escala, a grande ameaça à sobrevivência desses polinizadores é a aplicação de agrotóxicos para controle de pragas e doenças, com alta toxicidade para polinizadores e sem observar seus padrões e horários de visitas, o que pode provocar a morte, atuar como repelente e também causar efeitos tóxicos subletais, como desorientação do voo e redução na produção de prole. "Além disso, o uso de pesticidas tende a suprimir ou encolher a produção de néctar e pólen em algumas plantas, restringindo a oferta de alimentos para polinizadores, ressaltam os autores do relatório", diz o relatório.

O trabalho foi coordenado pelas pesquisadoras Marina Wolowski e Kayna Agostini e tem como autores os também André Rodrigo Rech, Isabela Galarda Varassin, Márcia Maués, Leandro Freitas, Liedson Tavares Carneiro, Raquel de Oliveira Bueno, Hélder Consolaro, Luisa Carvalheiro, Antônio Mauro Saraiva, Cláudia Inês da Silva. Os revisores externos são Blandina Felipe Viana, Ceres Belchior, Isabel Cristina Machado, Paulo Eugênio Oliveira, Roberta Nocelli, Vera Lúcia Imperatriz-Fonseca. Já a coordenação executiva do BPBES ficou por conta de Maíra Padgurschi.

São Paulo, 06/02/2019

(Tânia Rabello - tania.rabello@estadao.com)