Notícia

A Crítica (AM)

MEIO AMBIENTE

Publicado em 28 julho 2004

As questões de mercado ligadas à água existente na Amazônia, a preocupação do Estado do Amazonas com a contaminação dos rios e com a tomada de medidas para regulamentação da água de lastro descarregada nos rios do Estado, por meio de navios petroleiros do exterior, foram os pontos salientados pelo secretário de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Virgílio Viana, ontem, ao tomar conhecimento da matéria de capa publicada em A CRÍTICA, intitulada "Navios roubam água do rio Amazonas". Para o secretário da SDS, a preocupação do Governo do Estado, além do possível "roubo" das águas do Amazonas, está a necessidade de fiscalizar e estabelecer medidas reguladoras para a água usada para o lastro dos navios que muitas vezes pode contaminar nossos rios com substâncias e espécies animais e vegetais que podem causar desequilíbrio ecológico no rio Amazonas. "A nossa preocupação procede no que diz respeito ao uso da água de lastro dos navios que está relacionada ao risco de contaminação das espécies do rio Amazonas, a exemplo que ocorre no Pantanal", disse. Virgílio faz alusão a notícia divulgada em 1991, na Revista de Pesquisa Fapesp. Edição 61, que aponta um molusco originário da Ásia que chegou ao Pantanal por meio de embarcações do exterior e tornou-se uma séria ameaça a biodiversidade da região. De acordo com o secretário adjunto de recursos hídricos da SDS, Sávio Mendonça, na Argentina, onde é observado este molusco (Limnoperna fortunei) desde 1991, foi detectado que causa problemas nos locais em que há captação de água porque entope canos. No Brasil, há registros deste molusco no reservatório de Itaipu, na calha do rio Paraguai e nos lagos ligados aos rios dessa região. ESTAÇÕES Duzentos e cinqüenta estações de monitoramento estão instaladas na Amazônia. As informações são fornecidas à ANA seis vezes ao dia pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). EM NÚMEROS 70% Do consumo de água no mundo vão para a agricultura; 15% são consumidos pela indústria e 15% para o consumo humano. 3 centavos por metro cúbico de água é o preço estabelecido pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos a ser cobrado pelos comitês de bacia nas regiões peio uso da água. R$ 93 milhões são pagos por ano pelas hidrelétricas brasileiras à ANA pela geração hidráulica.