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Meio ambiente não está no foco das discussões, diz embaixador

Publicado em 08 março 2012

Por Verônica Falcão *

SÃO PAULO - Se o meio ambiente entrar em colapso os outros dois pilares do desenvolvimento sustentável - o econômico e o social - deixam de existir, disse ontem o embaixador e ex-ministro Rubens Ricupero, ao explicar seu temor de que a Rio+20 deixe de abordar questões como mudanças climáticas e biodiversidade.

"Os que têm consciência da gravidade do problema ambiental têm que se mobilizar para que a conferência não deixe de focar o principa", afirmou o diplomata, responsável no passado pelos Ministérios do Meio Ambiente (1993-1994) e da Fazenda (1994), em evento científico promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Ricupero lembrou que na Rio-92 foram assinadas as convenções do clima e da biodiversidade e que na Rio+20, que ocorre em junho no Rio de Janeiro, as discussões estarão centradas em economia verde e governança.

Ele cita que o Brasil criou mas não implantou a Lei de Mudanças Climáticas. "Antônio Palocci (ex-ministro-chefe da Casa Civil) era a única pessoa no governo que se interessava por isso. Agora, aparentemente, todo mundo esqueceu a lei." O embaixador defende que a questão ambiental integre as agendas de ministérios como o da Fazenda e do Planejamento. "Se ficar restrita ao Ministério do Meio Ambiente não gera consenso", justifica.

O embaixador, hoje ligado à faculdade Fundação Armando Álvares Penteado, citou relatório do Banco Mundial (Bird) em que o País figura entre as nações que menos estimulam práticas que promovam a conservação ambiental. "A única iniciativa citada foi o programa que incentivava a aquisição de equipamentos como geladeiras da chamada linha branca, de baixo consumo. Mas isso nem existe mais."

Sobre a criação de uma agência internacional de meio ambiente, um dos temas previstos para discussão no encontro de cúpula da ONU, Ricupero considera um dos principais impasses a localização. É que os países africanos defendem que o novo organismo internacional tenha sede na África, já que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) fica em Nairobi, no Quênia."E o que se comenta é que Nairobi é um lugar difícil de morar", revela.

Uma alternativa, na opinião do embaixador, seria fortalecer o Pnuma. "Para isso, basta uma resolução da Assembleia-Geral da ONU, enquanto a criação de uma nova agência requer mais etapas."

Com 4% do orçamento da ONU e 60 membros no conselho diretor, o Pnuma foi criado em 1972 e é considerado um programa de pouca força política e recursos limitados.

* A repórter viajou a convite da Fapesp