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Correio Popular

Mega projeto integra serviço meteorológico

Publicado em 16 julho 2000

Por Maria Teresa Costa - Do Correio Popular - teresa@cpopular.com.br
As previsões de temporais feitas com duas horas de antecedência no Estado de São Paulo acertam em apenas 20% das vezes. As previsões de chuvas em 48 horas erram em 20% das vezes. Isso acontece porque o sistema meteorológico é pobre em informação. A perspectiva é que, a partir de outubro, por meio de um investimento de US$ 15,6 milhões, a história da previsão do tempo no Estado de São Paulo começará a mudar. É que será implantado o Programa de Suporte ao Desenvolvimento de Pesquisas e às Operações do Sistema Integrado de Hidrometeorologia de São Paulo (Sihesp) para integrar e modernizar os serviços meteorológicos do Estado de São Paulo. Com o novo sistema, acreditam os gestores da proposta, haverá um ganho real nos resultados dos modelos de previsão de clima e de tempo para o Estado de forma que a previsão de geadas, de granizo, de estiagens, enchentes, temporais possam ser detectadas com antecedência suficiente para medidas preventivas adequadas. O investimento necessário para instalar uma infra-estrutura de ponta de observações hidrometeorológicas e implantar o Sistema Integrado de Monitoramento e Previsão Hidrometeorológica do Estado de São Paulo (Sihesp) virá da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), que vinculou a liberação de recursos à apresentação de projetos de pesquisa, e do Governo do Estado. São valores semelhantes ao que a Fapesp investiu no Projeto Genoma Xylella que tornou a ciência brasileira pioneira no seqüenciamento genético de um fitopatógeno, ou seja, de um micróbio causador de doença em plantas, no caso, o amarelinho dos laranjais. Assim como o Projeto Genoma, o programa de suporte ao desenvolvimento de pesquisa e às operações do Sistema Integrado de Hidrometeorologia de São Paulo também terá como missão a capacidade, em larga escala, de profissionais na área meteorológica. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) participarão diretamente do esforço para gerar e fornecer informações hidrometeorológicas que cheguem a tempo de uso efetivo pela população. O sistema vai unir todas as informações geradas pelos centros meteorológicos da Unicamp, IAC, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e também dos órgãos de pesquisa instalados no Estado e abastecerá todos os setores onde a' informação sobre o tempo é' essencial, como por exemplo, os setores da agricultura, a Defesa Civil e serviços de abastecimento. "Vamos desenvolver pesquisas na fronteira do conhecimento e formar recursos humanos qualificados e aptos para continuarem seu aprimoramento", afirma o diretor do Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura (Cepagri) Hilton Silveira Pinto. Até o dia 31 de julho, as instituições que integram o Sihesp estarão recebendo as propostas de projetos de pesquisa. Silveira Pinto observa que o salto de qualidade será muito grande tanto na agregação de equipamentos que melhorarão a confiabilidade das informações, quando na formação de recursos humanos.