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Jornal da Unicamp online

Medidas inovadoras impactam acesso

Publicado em 15 abril 2013

A graduação da Unicamp foi marcada nos últimos quatro anos por um amplo espectro de medidas inovadoras, com impacto no sistema de ingresso à Universidade, na infraestrutura de ensino, na valorização da atividade docente e nos programas de assistência estudantil. “As iniciativas implantadas tiveram como finalidade a valorização e a qualificação da graduação na Unicamp, recolocando-a no centro das discussões acadêmicas e recuperando o necessário destaque deste nível de ensino na Universidade”, resume o pró-reitor de Graduação, Marcelo Knobel.

Em menos de quatro anos, o sistema de ingresso aos cursos de graduação na Unicamp apresentou inovações de grande repercussão. A principal delas foi a implantação do Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS) [leia matéria na página 4], que possibilitou aos melhores alunos das escolas públicas de ensino médio em Campinas a chance de ingressar na Universidade sem precisar enfrentar o vestibular. O período também assinalou mudanças no vestibular visando a atualização acadêmica e programática, além de aprimorar a seletividade do certame.

Aprovadas em dezembro de 2009, as mudanças no vestibular entraram em vigor em 2011. Com o novo modelo, a avaliação de leitura e escrita com base na prova de redação foi ampliada. Já na prova de Conhecimentos Gerais, o número de questões a serem respondidas também mudou, passando de 12 dissertativas para 48 de múltipla escolha. Essa mudança ampliou a diversidade de conceitos a serem avaliados e melhorou o processo seletivo.

Os dados disponíveis indicam que as mudanças implantadas tiveram impacto positivo. O número de estudantes da rede pública matriculados em cursos da Unicamp bateu recorde já no vestibular de 2011. Foram 1.111 alunos que cursaram todo o ensino médio em escolas da rede pública, o que equivale a 32,1% dos matriculados naquele ano, contra 1.003 em 2010, ou 29,4% dos admitidos naquele período. Praticamente o mesmo índice foi alcançado no vestibular de 2012, quando 32% dos alunos matriculados na graduação haviam feito o ensino médio em escolas públicas. Já entre os inscritos, o percentual de estudantes da rede pública atingiu a marca de 27% em 2011 e 28% em 2012.

A graduação na Unicamp também expandiu-se a partir de 2009, com a transformação do Centro Superior de Educação Tecnológica (Ceset) de Limeira na Faculdade de Tecnologia (FT) e, mais recentemente, com a criação de quatro novos cursos. Três deles passaram a integrar as opções da FT: Engenharia de Telecomunicações (50 vagas, período integral), Sistemas de Informação (45 vagas, integral), Engenharia Ambiental (60 vagas, período noturno). O quarto curso foi Engenharia Física (15 vagas, período integral), no campus de Barão Geraldo, sob a responsabilidade do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) e com a participação de diversas outras unidades.

DOCENTES

Empenhada em conferir à graduação um padrão de excelência, a Unicamp também desenvolveu uma série de medidas e programas destinados a qualificar e valorizar os docentes, atualizar a legislação interna, aprimorar currículos e refinar rotinas e procedimentos, entre outros. Uma das ações adotadas foi a criação do Prêmio de Reconhecimento Docente pela Dedicação ao Ensino de Graduação, aprovado em novembro de 2011. A premiação pretende incentivar e reconhecer a dedicação dos docentes ao ensino de graduação. Os critérios básicos que orientam a escolha dos vencedores foram objeto de um criterioso processo de análise e discussão.

Também se insere nesse contexto o Espaço de Apoio ao Ensino e Aprendizagem (EA)2 , serviço que oferece recursos técnicos e ferramental teórico, além de favorecer a criação de fóruns para discussão sobre o processo ensino/aprendizagem, de forma a contribuir para o desenvolvimento profissional de seus docentes e para a formação dos alunos. O serviço também organiza eventos voltados para a qualificação do ensino e do aprendizado; serve de interface para serviços que auxiliem docentes no constante aprimoramento de sua atividade de ensino; participa das atividades de avaliação do ensino e do aprendizado na instituição; e divulga e oferece auxílio administrativo para ações que visem captar recursos e investimentos para inovações e aprimoramento na área de Educação, Ensino e Aprendizagem.

Outra ação com o intuito de aprimorar o ensino de graduação foi o lançamento, no início de 2012, de um edital para financiar visitas de docentes a cursos de graduação de excelência no exterior. A iniciativa foi implementada em conjunto pela PRG, Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) e banco Santander. Ao todo, foram contemplados 38 professores. O investimento total foi da ordem de R$ 450 mil. O objetivo é aliar o processo de internacionalização à melhoria dos cursos de graduação. As visitas devem subsidiar propostas que levem à atualização e aprimoramento dos currículos.

A atração de profissionais de notório conhecimento para atuar por um determinado período junto à graduação foi mais uma medida adotada para qualificar esse nível de ensino. A Universidade criou em 2010 o programa Professor Especialista Visitante em Graduação, que já lançou cinco editais. O objetivo é propiciar integração entre profissionais de reconhecida atuação no mercado com a comunidade universitária, de modo a promover impactos positivos tanto na formação dos alunos quanto na atualização dos docentes. O programa nasceu da constatação de que, em algumas carreiras, o conhecimento prático e a atuação no mercado são fundamentais para formar bons profissionais.

A Unicamp também investiu de maneira significativa para melhorar a infraestrutura física das unidades. Os editais voltados à valorização dos espaços de ensino, lançados em 2009, 2010 e 2011, chegaram a um total de R$ 6 milhões, perfazendo um dos maiores aportes de recursos para o setor nos últimos anos. Como resultado destas ações, 2011 e 2012 foram anos de renovação e melhoria das instalações, envolvendo desde equipamentos de laboratório até a climatização de ambientes. Só para equipamentos de laboratório foram destinados R$ 1,3 milhão em 2011 e R$ 387 mil em 2012, totalizando cerca de R$ 1,7 milhão. Em 2011, o montante investido nesse segmento representou 33% dos R$ 4 milhões previstos no edital para valorização dos espaços de ensino. Em 2012, a verba liberada para equipamentos para laboratórios chegou a 28% do total de R$ 2,1 milhões estabelecidos no edital.

Ainda em relação às obras físicas para graduação, merece destaque a requalificação da Praça Central e a reforma no Ciclo Básico 2 (CB2). Implicando em investimentos de R$ 4,5 milhões, o centro da Praça foi totalmente reconfigurado, com instalação de um espaço para apresentações de projetos artísticos-culturais. Já as obras no CB2 envolveram a reforma de 18 salas de aula e um anfiteatro, representando investimento de R$ 1,5 milhão. Além disso, a proposta orçamentária da Universidade para o ano de 2012 trouxe uma dotação de R$ 7,5 milhões destinada à construção da primeira fase do Ciclo Básico 3 (CB3), prédio que abrigará laboratórios de ensino que serão utilizados de forma compartilhada por todos os cursos de graduação.

Investimentos da ordem de R$ 12 milhões também deram fôlego novo ao Instituto de Artes (IA). Entre as ações concluídas e em andamento destacam-se a reforma do Pavilhão 1 de Artes Cênicas e Dança (Paviartes), um novo estúdio multimeios e a construção do Teatro-Escola de Artes Cênicas e Corporais e de um prédio próprio para o curso de Midialogia.

A Universidade também lançou nos últimos quatro anos um pacote de medidas para agregar mais qualidade à vida estudantil. Entre as ações concretizadas estão o aumento do número de programas e bolsas concedidas pelo Serviço de Apoio ao Estudante (SAE); implantação de editais de apoio às atividades estudantis; lançamento do programa Aluno Artista; aprimoramento do processo de estudo e aprendizagem; empréstimo de bicicletas para circulação no campus; incentivo à leitura, com direito a prêmios; e expansão do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica (Sappe).

A verba para os programas de assistência e permanência estudantil aumentou de R$ 28,4 milhões em 2010 para R$ 30 milhões em 2011, saltando para R$ 33 milhões em 2012, como resultado de inovações na política de bolsas. A partir de um estudo sobre as demandas, o SAE reformulou a bolsas que já existiam e criou outras, buscando diversificar as opções. O objetivo principal é viabilizar a permanência do estudante na Universidade.

Entre as novidades adotadas está a expansão da Bolsa Auxílio Social (BAS), cujo número de beneficiados saltou de 833 em 2011 para 983 em 2012. São 150 bolsas a mais, perfazendo um crescimento de 18%. Nessa modalidade, que substituiu a antiga Bolsa Trabalho, o aluno realiza atividades associadas à sua área de formação ou em movimentos sociais, sempre com a orientação de profissionais ou professores. O valor atual da BAS é de R$ 550,31, referente a 60 horas mensais de dedicação, além dos valores dos Auxílios Transporte e Alimentação, totalizando R$ 670,31. A seleção adota critérios socioeconômicos, com base na renda per capita do aluno.

Também foram criadas quatro novas modalidades de bolsas: Bolsa Auxílio ao Ensino e Aprendizagem (BAEF), no valor de R$ 733,00, para quem já completou metade do curso; Bolsa ProFIS, no valor de R$ 670,00, para todos os 120 alunos do Programa de Formação Interdisciplinar Superior; Bolsa Auxílio Social e Iniciação Científica (BAS-IC), que complementa bolsas de iniciação científica concedidas pela Fapesp e CNPq, totalizando R$ 680,00; e a Bolsa Auxílio Instalação, no valor de R$ 300,00, destinada a auxiliar nas primeiras despesas do estudante que acaba de chegar à cidade.

Texto: Redação