Notícia

Tribuna de Iracemápolis

Médico iracemapolense integra equipe que desenvolve medicamento para tratamento contra Covid-19 - Tribuna de Iracemápolis

Publicado em 06 agosto 2021

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) participa de um estudo de validação de um novo medicamento que pretende auxiliar no tratamento de pacientes com Covid-19. Este projeto de pesquisa clínica foi aprovado pelo Programa de Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em Saúde (PPSUS) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e está em seu estágio inicial em humanos. O projeto é formado por mais de 20 pesquisadores entre eles o médico iracemapolense, que é responsável pelo Laboratório de Biologia Celular do Laboratório de Biotecnologia Aplicada do HCFMB e professor do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB | Unesp), Dr. Matheus Bertanha. Segundo ele, a pesquisa visa identificar a ação antiviral anti-Covid-19 da heparina enriquecida, de alto peso molecular, administrada através de inalação simples. Durante entrevista à Tribuna de Iracemápolis, ele respondeu algumas questões sobre o tema. Confira abaixo os principais trechos desta entrevista:

Tribuna: Como é para você participar de uma pesquisa para um tratamento de uma doença que vem sendo buscado por cientistas de todo mundo?

Dr. Matheus: Para mim, como pesquisador é uma satisfação enorme conduzir essa pesquisa. Isso pode ser encarado como a nossa contribuição para o enfrentamento da pandemia. É uma grande realização pessoal que vem acompanhada de muitos desafios. Porém, com a situação em que nos encontramos, particularmente na carência de medicamentos efetivos e na dependência de tecnologias importadas e caras, o esforço se torna válido, mesmo que os objetivos, muitas vezes, não sejam atingidos por completo. Vale lembrar que é necessário um grande número de pesquisas para que se possa encontrar a direção correta para o tratamento de uma nova doença, como o Covid-19, então, isso também nos inspira a prosseguir.

Tribuna: Qual expectativa para efetivação desse estudo e sua aplicação?

Dr. Matheus: Acredito que essa fase do estudo deva se encerrar nos próximos dois ou três meses. Porém, por mais que estejamos empenhados na conclusão dessa fase do estudo (fase II), muitos fatores podem influenciar no tempo de uma pesquisa, como obter voluntários que se enquadrem nos critérios da pesquisa e o tempo para a análise de todos os resultados.

Tribuna: Esse tipo de tratamento se aprovado como seria na prática?

Dr. Matheus: A expectativa é que continue sendo realizado de forma inalatória mesmo. Como é bastante seguro nas dosagens testadas, acreditamos que possa ser facilmente disponibilizado e que tenha um custo relativamente baixo.

Tribuna: Há um expectativa de quanto tempo levará entre esse processo de pesquisa e sua conclusão ?

Dr. Matheus: Cientistas devem manter os pés no chão, entendendo que uma pesquisa séria deve seguir todos os trâmites necessários, sem atropelar nenhum deles. Infelizmente, tivemos um grande atraso no início dos testes e não conseguimos atuar nos momentos com maior número de infectados. Com a melhora da pandemia, teremos menor número de voluntários e os tempos devem ser alargados. De qualquer forma, o fato de termos uma grande melhora na pandemia é uma notícia muito boa. Nosso estudo continuará sendo conduzido paralelamente, na expectativa de bons resultados.

Tribuna: Enquanto médico e pesquisador quais são suas recomendações, na prevenção da doença para as pessoas enquanto aguardam um tratamento efetivo para a covid-19 ?

Dr. Matheus: Sempre devemos reforçar que, apesar da melhora global da pandemia, ainda não estamos todos completamente vacinados, então, tomem a vacina assim que seja possível, seja qual for a empresa fornecedora – todas têm eficiência comprovada, evitem as aglomerações, mantenham distanciamento social sempre que possível, higienizem as mãos lavando-as frequentemente ou usando o álcool em gel, usem a máscara facial sempre que estiverem em ambientes públicos, evitem colocar a mão na boca ou nos olhos e mantenham-se vigilantes. Não se arrisquem, a doença é muito imprevisível. Tive oportunidade de ver muitas pessoas se curarem, mas vi de perto algumas perderem a batalha, o que é sempre muito triste.

Dr. Matheus é responsável pelo Laboratório de Biologia Celular do Laboratório de Biotecnologia Aplicada do HCFMB e professor do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB | Unesp)