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Agência USP de Notícias

Medicina identifica doença transmitida pelo carrapato

Publicado em 22 março 1999

MEDICINA DA USP ESTUDA DOENÇA Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP identificaram uma doença infecciosa ainda pouco conhecida no Brasil. Trata-se do Mal de Lyme, que é transmitido ao homem e a animais domésticos pela picada do carrapato. O Mal de Lyme é caracterizado inicialmente por uma lesão de pele, podendo evoluir para quadros clínicos mais graves, como a meningite, paralisia facial, surdez, perda súbita de visão, artrite, confusão mental e doenças cardíacas. De acordo com o pesquisador Natalino Hajime Yoshinari, alguns casos detectados em zonas rurais do interior e no litoral do Estado vêm sendo estudados desde 1989. Até agora, estão sendo acompanhados 57 pacientes que passam por tratamento no Hospital das Clínicas (HC). No local onde a pessoa recebeu a picada do carrapato surge uma mancha que, dias depois, vai desaparecendo. Os sintomas seguintes podem ser confundidos com uma gripe. Surgem febre, tosse seca, dor de garganta, calafrios, falta de ar, conjuntivite e diarréia. "Após alguns meses, quando as bactérias chegam a corrente sangüínea, a doença evolui para quadros mais graves, com o surgimento de dores musculares, inflamação nas juntas, fadiga, cefaléia, depressão, alteração de humor, formigamento, meningite, inflamação dos nervos periféricos (os pés ficam caídos), paralisia facial, surdez, visão dupla, cegueira e doenças cardíacas", descreve o pesquisador. Dos 57 pacientes diagnosticados no Hospital das Clínicas, 35% são homens e 65% mulheres, com idade entre 5 e 60 anos, que residem na zonal rural, no litoral, ou que freqüentam áreas de risco. Destes, 32% levaram picadas de carrapatos, outros 39,8% viram o parasito, mas não confirmaram a picada, e 39,8% não se lembram de algum contato. Yoshinari alerta que gatos, cavalos e principalmente cachorros podem trazer o hospedeiro da doença para dentro de casa. "Do total de pacientes, 49% chegaram ao HC no estado agudo da doença e 50,9% em estágio secundário, quando se apresentam problemas mais sérios. Dos casos citados, 65% foram curados, 20% apresentaram novo surto e 15% tiveram recorrência. O sucesso do tratamento demonstra a importância do diagnóstico precoce", analisa. Segundo Yoshinari, as pesquisas sobre o Mal de Lyme ainda são recentes no País. "Existe a possibilidade de algumas doenças estarem associadas à picada do carrapato. "É possível que existam mais casos, já que muitos médicos ainda não sabem de sua existência e origem", explica o pesquisador. No Brasil, o diagnóstico é feito apenas pela Faculdade de Medicina da USP ou por um instituto particular (Fleury), que envia amostras de sangue para serem analisadas no exterior. A doença é diagnosticada através de amostra sorológica pelos métodos ELISA e Imunoblot, porém nos casos agudos, nos primeiros três meses da doença, o resultado positivo aparece em apenas 49% dos casos. Após este período, em 50,9%. Yoshinari explica que, pela baixa condição de detecção da doença, por meio de exames laboratoriais, é importante que os médicos conheçam os sintomas o histórico do paciente para o diagnóstico clínico. O Departamento de Reumatologia, da Faculdade de Medicina da USP, onde Yoshinari desenvolve suas pesquisas, recebe amostras de exames de todo o país para diagnóstico do Mal de Lyme. Além de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, o trabalho envolve cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, do Instituto Butantan e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Mais informações com o pesquisador Natalino Hajime Yoshinari, telefones 3066-7496 e 458-1378, fax 280-1834, e-mail reumato@edu.usp.br.