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Agência C&T (MCTI)

MCTI assina acordo de cooperação científica com os Países Baixos

Publicado em 21 novembro 2012

Por Priscila Vanti

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, e o vice-ministro de Educação, Cultura e Ciência dos Países Baixos, Sander Dekker, assinaram, nesta quarta-feira (21), acordo de colaboração científica em ciência, tecnologia e inovação, durante o seminário Bioeconomia: O Conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês. O evento foi realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, com a presença do príncipe de Orange, Willem-Alexander.

O conceito de bioeconomia está relacionado ao desenvolvimento sustentável, que pressupõe novas relações com a Terra, com as pessoas e com o mercado, numa atitude de total respeito ao meio ambiente.

Para o secretário, a parceria com a Holanda - país que ele considerou muito avançado na área - representa uma união muito grande de interesses em trajetórias de desenvolvimento. "Temos uma agenda muito importante e interessante para os dois países perseguirem, e o MCTI e o governo do Brasil vão colocar todos os esforços para que tenhamos muito sucesso nessa colaboração", disse.

Desde 2011, foram acelerados os contatos da Holanda com o Brasil, mediante visitas de delegações dos setores privado e acadêmico de ambas as partes. "Este é o marco simbólico de um novo momento de colaboração científica, tecnológica e empresarial entre nossos países", afirmou Nobre. Ele acrescentou que, inicialmente, foram selecionados alguns tópicos para cooperação, como bioeconomia e biotecnologia, com aplicação nas áreas de química, biorrefinarias, agricultura sustentável e conversão de materiais em bioenergia. "Todos estes são tópicos em que o Brasil tem interesse e enorme necessidade de novos conhecimentos."

Agricultura sustentável

O secretário lembrou que, na colaboração ampla com a Holanda, foi acordado um amplo programa de pesquisa em agricultura sustentável. "O mundo vai precisar aumentar sua produção de alimentos em 80% até 2050 para sustentar 9 bilhões de pessoas, além de reduzir perdas", assinalou.

"O mundo espera que o Brasil produza de 20% a 30% a mais do que precisamos. Para isso, dispomos de muita área, clima favorável, solo fértil, além do compromisso de reduzir o impacto adverso da agricultura nos ecossistemas e no clima. E essa equação só se resolve com o conhecimento científico", declarou Nobre, ao destacar o interesse de adaptar cidades litorâneas brasileiras às mudanças climáticas. "Nesse aspecto, a Holanda, com certeza, é líder mundial."

O acordo firmado hoje ratifica o memorando de entendimento para cooperação em ciência, tecnologia e inovação, assinado em 29 de novembro de 2011, que priorizou a bioeconomia, com o objetivo de promover a colaboração entre os países, por meio de editais conjuntos e parcerias em pesquisa - com foco especial no programa Ciência sem Fronteiras.

De acordo com o documento, outras áreas de cooperação devem ser discutidas pelo comitê conjunto, cuja primeira reunião está prevista para o primeiro semestre de 2013. Na ocasião, serão discutidos temas como adaptação de zonas costeiras; tecnologias para cidades sustentáveis; agricultura sustentável; ciências da vida, incluindo saúde humana; esportes; e astronomia. O comitê vai elaborar um plano de trabalho para a cooperação bilateral.

Seminário

O seminário Bioeconomia: O Conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês foi composto por seis painéis, que apresentaram a experiência holandesa e os desafios no Brasil ligados ao setor. Além de Nobre, o evento teve a participação do coordenador do Combo-Fiesp, Eduardo Giocomazzi, e do diretor de Bioeconomia do Ministério de Assuntos Econômicos, Agricultura e Inovação dos Países Baixos, Roel Bol.

O primeiro painel abordou a "Química de base biológica e biotecnologia industrial: uma abordagem integrada" e foi ministrado pelo professor da Organização Neerlandesa para Pesquisas Científicas (NWO), Han de Winde. Na sequência, Louise Vet, do Instituto Holandês de Ecologia (Nioo), falou sobre "Rumo à bioeconomia sustentável: aprendendo com a natureza".

Com tema "Ciência, tecnologia e inovação no estado de São Paulo", o terceiro painel foi ministrado por Marie-Anne Sluys, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O quarto painel, sobre o tema "Como a biotecnologia está tornando a agricultura brasileira mais sustentável", foi conduzido pela diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani.

Os dois últimos painéis destacaram a experiência de empresas holandesas que atuam no Brasil. Frabrizio Rampinelli, da Purac, falou sobre "Conexão & Desenvolvimento: elemento chave da jornada de valor global", enquanto Frank Nadimi, da DSM, abordou "DSM e a bioeconomia: desenvolvendo uma cadeia de valor global". Os painéis foram mediados pelo coordenador-geral de Bioeconomia e Saúde do MCTI, Luiz Henrique Pereira. No período da tarde foi realizado um workshop para exposição de produtos e apresentação de propostas de parceria.

Durante o seminário foram assinados acordos de colaboração científica entre a Delft University of Technology (TU Delft) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também celebrou acordo com a Fundação BE-Basic. Houve, ainda, a abertura oficial do BE-Basic Hub em Campinas, pela Fundação BE Basic e pela TU Delft. Na ocasião, Fiesp e BE Basic assinaram um protocolo de intenções na área de biotecnologia.

Texto: Ascom do MCTI