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Vale Paraibano

MCT seleciona novo diretor para o Inpe

Publicado em 27 agosto 2009

O Ministério da Ciência e Tecnologia anunciou ontem a abertura de processo seletivo para indicação do novo diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos.

O nome escolhido terá, por um mandato de quatro anos, a partir de janeiro de 2010, a missão de administrar anualmente um orçamento de mais de R$ 150 milhões destinado principalmente às áreas de monitoramento ambiental, previsão do tempo e observação da Terra.

Uma comissão de cinco especialistas indicada pelo ministério receberá as inscrições dos interessados até 30 de setembro. Em seguida, o grupo formará uma lista tríplice que será encaminhada ao ministro Sergio Rezende. Ele terá até dezembro para indicar o substituto de Gilberto Câmara, que está à frente do instituto desde 2005.

A comissão é presidida por Marco Antônio Raupp, diretor geral do Parque Tecnológico de São José e presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Raupp, que também ocupou a direção do Inpe entre 1985 e 1989, será o encarregado de receber as inscrições.

Além de currículo, os candidatos devem apresentar carta de inscrição com dados sobre produção científica e tecnológica e texto de até cinco páginas descrevendo sua visão de futuro e projeto de gestão para o Inpe. Poderá se candidatar qualquer pesquisador ou tecnologista brasileiro ou naturalizado.

O candidato selecionado deverá ser capaz de demonstrar, entre outros atributos, competência profissional reconhecida, experiência administrativa e capacidade de promover agregação de funcionários em torno dos objetivos institucionais do Inpe.

"O diretor do Inpe tem que ter liderança e representatividade na comunidade científica, portanto, ser reconhecido por seu trabalho para executar as metas do Inpe", disse Raupp.

O Inpe, hoje com 1.100 funcionários, é um dos principais institutos de pesquisa do país, com atuações nas áreas de monitoramento ambiental, estudos climáticos e previsão do tempo, ciências espaciais, atmosféricas e do ambiente terrestre, além de engenharia de satélites (leia texto nesta página).

A comissão

Três dos cinco membros do comitê anunciado ontem pelo MCT são remanescentes do último processo seletivo realizado em 2004, quando Câmara foi escolhido. Além de Raupp, também fazem parte Michal Gartenkraut, ex-reitor do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), e Carlos Henrique de Brito Cruz, da Fapesp (Fundação de Apoio e Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Os dois novos membros são Alberto Passos Guimarães, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, e o ministro das Relações Exteriores, Hadil Fontes Vianna.

"O ministro pode também não aceitar nenhum dos três nomes escolhidos pela comissão. Os critérios de seleção são oficiais do ministério, é um modelo aplicado em todos seus institutos", disse Raupp. Segundo ele, Câmara também pode ser reeleito, caso se inscreva no processo seletivo.

DESAFIOS - Para Raupp, o maior desafio na direção do Inpe é lidar com a burocracia e a legislação para projetos de transferência de tecnologia por meio de parcerias com instituições privadas. Em seu entendimento, as leis não estão adequadas e dificultam a interação entre as partes.

"Os recursos hoje não representam problemas, o governo tem disponibilizado recursos para os programas. Mas existe um engessamento de alguns projetos, não genuinamente científicos, mas de transferência de tecnologia e contratação de empresas privadas. O processo de gestão está complicado, é uma burocracia muito grande", afirmou.