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Boletim do Acadêmico

Mayana Zatz: destaque em 2005

Publicado em 25 janeiro 2006

Em 2005, o Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP)aclamou os quatro nomes indicados pela nova reitora Suely Vilela para ocupar as quatro pró-reitorias da instituição. Na Pró-Reitoria de Pesquisa entrou Mayana Zatz. Ainda neste ano, a Acadêmica ganhou o Prêmio Faz Diferença 2005 na área de Ciência, concedido por O Globo .

Diretora do Centro de Pesquisa do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), as células-tronco, na verdade, são apenas parte da luta de Mayana. Por muitos anos, ela tem se dedicado a melhorar as condições de vida de portadores de doenças genéticas. Em especial, a vida das pessoas com distrofias musculares, grupo de doenças degenerativas no qual ela se especializou.

Hoje, estima-se que cerca de cinco milhões de brasileiros sofram de doenças genéticas. É um drama silencioso e ignorado pelo resto do país. Essas doenças não têm cura e os tratamentos, quase sempre, estão longe de oferecer uma melhora significativa da qualidade de vida.

Foi o fato de as células-tronco oferecerem um caminho promissor de tratamento para muitas das doenças genéticas que despertou o interesse de Mayana. Em 2005, ela publicou um artigo na prestigiada revista 'Science' para alertar sobre a necessidade de o Brasil dar mais atenção aos portadores de doenças genéticas.

O artigo destacava que um em cada cinco bebês brasileiros que morrem antes de completar seu primeiro aniversário tem alguma doença genética.

O interesse acabou por se transformar numa batalha pelo direito à pesquisa, ameaçado pela oposição de grupos religiosos ao estudo com células de embriões.  Poucas vezes a comunidade científica brasileira se mobilizou tanto em torno de uma causa e Mayana foi uma das vozes mais presentes durante toda a batalha no Congresso para convencer parlamentares da necessidade de aprovar o estudo com as células embrionárias, consideradas mais promissoras do que as maduras ou extraídas de cordão umbilical.

"Uma grande lição da campanha pela liberação das pesquisas com células embrionárias foi mostrar a importância de ser cidadão. Eu fiquei feliz com o engajamento dos pacientes de doenças que podem ser beneficiados pelas pesquisas. O brasileiro precisa aprender a lutar, tomar o gosto de brigar por seus direitos. Está na hora de se mobilizar mais", disse ela ao comentar a liberação das pesquisas.

Com a lei aprovada, seu grupo de pesquisa se mobilizou para se tornar o primeiro no país a realizar um estudo com células-tronco embrionárias. A pesquisa usará embriões congelados em clínicas brasileiras de reprodução assistida. A meta é compreender os mecanismos de diferenciação celular e, a longo prazo, desenvolver terapias para doenças neuromusculares.

Mayana trabalha há dois anos com células-tronco adultas, mas acredita que as células embrionárias, que podem originar todos os tecidos do corpo humano, têm um potencial muito maior para o tratamento de doenças. A Acadêmica, no entanto, sempre frisa que os resultados dos estudos com as células de embriões não serão imediatos. A ciência ainda dá os primeiros passos e há muito a descobrir antes que as primeiras pessoas doentes sejam beneficiadas.

"É importante salientar que, por enquanto, são pesquisas. Antes de se falar em tratamento em seres humanos, essas pesquisas têm que ser feitas em laboratório e depois em modelo animal. Injetar células-tronco embrionárias numa pessoa hoje seria um risco enorme, porque sabe-se que essas células podem originar tumores. Não podemos colocar a carroça na frente dos bois. Mas chegaremos lá, tenho certeza", afirma.

Agência FAPESP e jornal O Globo