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Mauá e São Carlos preparam opção para tratar resíduos

Publicado em 06 março 2003

Por Fabiana Pio
Um novo sistema de tratamento de esgoto, que consome menos energia em relação ao processo convencional e permite reutilizar a água em atividades que não exijam potabilidade, está sendo desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo e da Escola de Engenharia Mauá (EEM) do Instituto Mauá de Tecnologia, na cidade de São Caetano do Sul. Trata-se da criação de área que utilizam bactérias anaeróbias (microorganismos que não precisam de oxigênio para sobreviver) para tratar esgotos sanitários e efluentes industriais. Segundo o engenheiro Eugênio Foresti, diretor da Escola de Engenharia de São Carlos, "o processo anaeróbio consome 70% menos energia que um processo aeróbio convencional (microorganismos que precisam de oxigênio para viver). Além disso, tem menor custo de implantação, cerca de 30% a 40% inferior ao sistema convencional". O grupo de pesquisadores desenvolveu recentemente o Reator Horizontal de Leito Fixo, que já está sendo aprimorado. O novo reator é vertical, e tem a forma de um tanque. "O material sólido muitas vezes causava entupimento no reator horizontal. Já no novo reator, isso não acontece", diz Foresti. De acordo com o engenheiro, estão sendo mantidos contatos com o governo do Estado de São Paulo para montar uma estação piloto de tratamento anaeróbio em uma cidade de pequeno porte na região de São Carlos. O processo anaeróbio é estudado na EESC desde 1970. E a partir de 1991, começou a receber apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) Esse já é o terceiro projeto, que irá consumir investimentos de R$ 300 mil. O primeiro projeto recebeu aporte de US$ 100 mil e o segundo, cerca de R$ 250 mil. Segundo Foresti, o reator anaeróbio poderá ser adotado, por exemplo, em postos de gasolina para purificar a água contaminada no solo. "Os reatores anaeróbios representam uma ótima alternativa para reduzir custos nos processos de tratamento de efluentes", diz.