Notícia

Correio Popular

Matrizes foram trazidas da Etiópia em 1965

Publicado em 24 junho 2004

As três variedades descafeinadas encontradas pelos pesquisadores foram descobertas através da análise do banco de germoplasma do IAC, que contém três mil exemplares de plantas originadas da Etiópia. O material é derivado de 200 matrizes trazidas em 1965 por uma missão internacional enviada ao país africano, que foram encaminhadas primeiramente para a Costa Rica, segundo Maria Bernadete Silvarolla. De lá, depois de ficarem em um período de "quarentena" em Jundiaí - onde não há cultura cafeeira - as mudas foram trazidas para Campinas e deram origem aos pés da mesma "família" que foram estudados pela equipe. "O objetivo do acordo entre a Etiópia e a Food and Agriculture Organization (FAO), da Nações Unidas foi preservar essas coleções da degradação ambiental", diz. Fazuoli completa: "a Etiópia é o centro de origem da diversidade cafeeira, onde se espera que esteja concentrada a variedade genética. Essa variedade que encontramos cresce livremente por lá e se estabelece à sombra das árvores, de forma natural". Para o pesquisador, a descoberta também indica o nível de excelência atingido pela pesquisa desenvolvida no IAC, que completa 127 anos no próximo dia 27. "No mínimo 90% do café arábico plantado no Brasil, que corresponde a 70% de toda a produção nacional (36 milhões de sacas de 60 kg na safra deste ano), tem base genética do IAC", afirma. Pela mesma razão, os pesquisadores destacam a importância do banco de germoplasma do instituto, que começou a ser formado em 1932, com o início do Programa de Melhoramento Genético do Cafeeiro. O projeto contou com o trabalho de Alcides Carvalho, cujas iniciais batizam as variedades sem cafeína descobertas agora. "Essa pesquisa é a prova cabal do valor do recurso genético. É a matéria prima do melhorista", diz Bernadete. A pesquisa do IAC e da Unicamp contou com o apoio financeiro do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) (SA/AAN).