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Jornal Primeira Página

Matemática pode ajudar empresas a inovar

Publicado em 15 março 2020

Por Da redação

Conhecimento gerado no Brasil na área precisa ser incorporado ao setor produtivo para geração de novos produtos, processos e serviços, avaliam participantes do ‘1º Workshop Matemática e Indústria’ A produção científica brasileira no campo da matemática tem ganhado projeção mundial nos últimos anos. Em 2014, o matemático brasileiro Artur Ávila conquistou a medalha Fields, a mais prestigiosa distinção da área, e em 2018, o país ingressou no grupo de elite da União Matemática Internacional (IME), ao lado das outras 10 nações mais avançadas na área.

O impacto científico das pesquisas feitas por pesquisadores vinculados ao Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), por exemplo, já é superior ao das universidades de Harvard, Stanford e Berkeley, nos Estados Unidos, e a instituição é o maior centro de formação de mestres e doutores em matemática do país, de acordo com Marcelo Viana, diretor-geral da instituição. Esse conhecimento gerado pela instituição e outras no país precisa, agora, ser incorporado ao setor produtivo brasileiro, a fim de gerar novos negócios, inovações em produtos, processos e serviços, além de empregos qualificados. A avaliação foi feita por participantes do 1º Workshop Matemática e Indústria, realizado nos dias 13 e 14 de fevereiro no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro.

O evento foi uma iniciativa do Impa em parceria com o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP, e teve como objetivo apresentar às empresas as oportunidades e soluções oferecidas pela pesquisa acadêmica. Participaram pesquisadores da Petrobras, Equinor, McKinsey, Stone, Hotel Urbano, Via Varejo, Bayer, Shell e Repsol, entre outras. Na avaliação de Viana, o Brasil tem grande potencial para tirar proveito dos benefícios que a matemática pode trazer à economia, uma vez que possui excelentes instituições de pesquisa na área.

“O Brasil dispõe de excelentes instituições e experiência no campo da matemática para realizar esse potencial. E duas dessas instituições estão representadas neste evento, que são o Impa e o CeMEAI”, avaliou. Um dos egressos do Impa é Artur Ávila, que fez doutorado e hoje integra o quadro de professores da instituição. “Preferimos que nossos egressos permaneçam no Brasil, mas somos uma instituição que exporta doutores para diversos países”, afirmou Viana. Uma das contribuições que os matemáticos formados nas instituições brasileiras têm dado às empresas é fazer previsões sobre o comportamento de estruturas, como edificações, ou do escoamento de petróleo em um campo de exploração a partir da descrição de fenômenos físicos – prática conhecida como modelagem matemática.

Mais recentemente, por meio da combinação da estatística com computação de alto desempenho, os matemáticos também têm contribuído para prever processos que não têm descrição física. “A onda de inteligência artificial que vivemos agora só foi possível em função da interação entre a computação, a matemática e a estatística”, avaliou José Alberto Cuminato, diretor do CeMEAI. A interação entre a academia e o setor produtivo só será possível se envolver essas três áreas, apontou Cuminato. “Por isso o nome do CeMEAI faz referência às ciências matemáticas, e não simplesmente à matemática”, afirmou.

Matemática e negócios

Inaugurado em 2011, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação na Universidade de São Paulo (ICMC-USP), campus de São Carlos, o CeMEAI foi pioneiro no país ao estimular a interação entre as ciências matemáticas e o setor industrial.

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