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Mata Atlântica é abrigo de carbono

Publicado em 16 novembro 2008

Agência Fapesp

São Paulo - A biodiversidade da Mata Atlântica é uma das maiores do planeta, mas sua importância não se limita à fauna e à flora abundantes. O bioma abriga também importantes reservas de carbono, que fica estocado nas florestas e no solo.

Pesquisadores de universidades brasileiras e estrangeiras estão empenhados em quantificar os estoques de carbono nessas áreas e estimar a quantidade de carbono já liberado para a atmosfera em decorrência do desmatamento.

Um estudo publicado na revista Biota Neotropica indica os melhores modelos matemáticos para estimar a biomassa disponível na Mata Atlântica. A estimativa a partir de um dos modelos, segundo os autores, aponta que o desmatamento já pode ter liberado 13 milhões de toneladas de carbono na atmosfera e 900 mil toneladas ainda estão estocadas nas árvores.

O artigo é o resultado do workshop "Estimativa da biomassa e estoques de carbono: o processo de Mata Atlântica", realizado em 2006, em Ubatuba (SP), como parte de um Projeto Temático realizado pelo programa Biota-Fapesp, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

De acordo com Simone Aparecida Vieira, pós-doutoranda do Laboratório de Ecologia Isotópica do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), e uma das autoras da pesquisa, estocar carbono em florestas contribui para diminuir a concentração de CO na atmosfera.

"As florestas tropicais podem desempenhar um papel fundamental na absorção do carbono, uma vez que armazenam grande quantidade dele na biomassa viva acima do solo."

Ela explica que o carbono da atmosfera pode ser armazenado na biomassa viva acima do solo, principalmente no tronco das árvores e na biomassa viva abaixo do solo, em particular nas raízes.

Dos organismos vivos, ele passa para os reservatórios de biomassa não-viva, que incluem a serapilheira e a matéria orgânica do solo", diz a pesquisadora. Para estimar a biomassa, os pesquisadores utilizaram um modelo alométrico: uma equação matemática que relaciona algumas variáveis das árvores, como o diâmetro e a altura, com a biomassa.

Estoques

De acordo com o estudo, para cada hectare de Mata Atlântica perdida, estima-se que sejam emitidas pelo menos 100 toneladas de carbono. Originalmente a Mata Atlântica cobria, segundo o estudo, uma extensão de 1,36 milhão de quilômetros quadrados. Deste total, 93% foram desmatados.

"Podemos supor que pelo menos 13 milhões de toneladas de carbono foram liberadas para a atmosfera em decorrência do desmatamento. Da mesma forma, podemos supor que no que resta desse bioma possa haver estocado pelo menos 900 mil toneladas de carbono. Esses valores dão uma idéia da importância deste bioma no que se refere à ciclagem biogeoquímica do carbono", conclui.

Dados da Mata Atlântica no Paraná

Total de floresta original

Cerca de 18% do território, em diversos estados de conservação. Os melhores renamenescentes ocupam cerca de 3% da área do Estado, concentrados no Parque Nacional do Iguaçu e Serra do Mar.

Desmatamento

A área original do Bioma no País está reduzida a 7,26%, ou 97.596 quilômetros quadrados. O Paraná foi o quarto estado que mais desmatou áreas de Mata Atlântica entre os anos de 2000 e 2005, um total de 28.238 hectares.

Fonte: Secretaria de Estado do Meio Ambiente e SOS Mata Atlântica.