Notícia

Jornal do Brasil

Marte é o próximo passo

Publicado em 28 janeiro 1996

MIAMI - Os sonhos e os objetivos dos americanos no espaço foram redefinidos pelo ex-presidente George Bush desde 1989: voltar à Lua e colocar um homem em Marte. Antes disso, porém, a corrida espacial dos EUA se parece mais com uma prova cheia de obstáculos. A Nasa precisa estabelecer como serão os ônibus espaciais do século 21, produzi-los e colocá-los para voar. Os empreiteiros do espaço têm que acabar de desenhar e construir a estação orbital que substituirá a Mir, criando uma escala imprescindível para as missões tripuladas de longuíssima duração. Em quatro de julho de 1997 a primeira nave não tripulada da geração que os cientistas apelidaram de Rocky pousará em Marte para um passeio pela superfície do planeta vermelho e uma sessão de fotos. Em 1986, quando a Viking visitou Marte pela primeira vez, os EUA gastaram US$ 1 bilhão. A Rocky, que provavelmente será rebatizada com um nome politicamente interessante, fará o mesmo serviço por US$ 260 milhões. A Nasa foi obrigada a aprender economizar, "sem perder a ternura jamais". Os americanos ainda não sabem se valerá à pena continuar procurando outras formas de vida no sistema solar ou nos planetas recém-descobertos pelo telescópio espacial Hubble. Mas sabem que uma caminhada em Marte será mais um passo gigante para a humanidade. "Os sonhos da corrida espacial são infinitos. Não podemos falar deles agora. Podemos falar de nossos planos que são voltar a Lua e mandar um homem até Marte", disse o porta-voz da Nasa, Bruce Buckingham. ÔNIBUS VÃO PARA O MUSEU MIAMI - O ônibus espacial do futuro traz a sigla X-33 como seu nome de guerra e deverá estar voando até o ano 2005. Mesmo com seu trabalho reduzido a sete missões anuais, o estoque de quatro orbitais (assim a Nasa chama seus ônibus) ainda em atividade deverá ser remetido ao museu mais próximo antes do final do século. Traídos por uma coleção de problema de manutenção, vários vôos abortados e pelo menos uma grande tragédia, o sistema de transporte coletivo do espaço na sua versão atual será desativado ser ter conseguido emplacar. Os ônibus espaciais deixaram de cumprir sua missão mais importante: tornar os vôos para fora da terra o mais barato possível. O plano da Nasa era gastar, no máximo, US$ 15 milhões em cada missão de seus orbitais. Mesmo sem a velha inflação brasileira, o custo das missões de naves como o Endeavour, Atlantis, Columbia e Discovery subiram para US$ 50 milhões cada uma. Estão fora do orçamento e sobretudo fora dos planos da Nasa e do Congresso americano para reduzir despesas. Três dos maiores grupos aeronáuticos americanos estão trabalhando para ganhar a concorrência de US$ 660 milhões que em envolve a construção do ônibus espacial do século 21. E antes que os amantes da ficção científica comecem a imaginar aeronaves recicláveis capazes de decolar de um porta aviões e estacionar no teto do museu da Nasa na Flórida, vale lembrar que nenhuma das novas propostas tem concepção muito radical. Os cientistas ainda perseguem o sonho de um foguete de estágio único, que não deixa sucata no espaço. (M.A.S.)