Notícia

Jornal Brasil

Maria Léa Salgado Labouriau

Publicado em 15 julho 2013

Ex-alunos e amigos lamentaram neste fim de semana a perda da professora Maria Léa Salgado-Labouriau, ex-docente do Instituto de Geociências e do Departamento de Biologia Vegetal do Instituto de Ciências Biológicas. Maria Léa, professora emérita da Universidade de Brasília, aposentada, mas ainda atuante cientificamente, gozava de grande reconhecimento científico no Brasil e no exterior. Atuava em pesquisas sobre a reconstrução da vegetação e do clima, estudando grãos de pólen, de esporos e de algas microscópicas depositadas em sedimentos do período quaternário. Suas principais contribuições foram no estudo do ambiente em altas montanhas andinas e no Planalto Central do Brasil (Cerrado). Formou muitos pesquisadores científicos e publicou numerosos trabalhos.

A professora Maria Léa nasceu no Rio de Janeiro e viveu sua infância em Minas Gerais. Casou-se, em 1952, com Luiz Fernando Gouvea Labouriau, também professor emérito da UnB, com quem esteve junta até o seu falecimento, em 1996. O casal teve quatro filhos: Izabel Labouriau, professora de Matemática na Universidade do Porto, em Portugal; Rodrigo Labouriau, do Departamento de Biologia Molecular e Genética da Aarhus University, na Dinamarca; Sônia Labouriau, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), área de Artes e Artesanato; e Miguel Labouriau, engenheiro sênior de Sistemas na Symantec, em Belo Horizonte.

Em 1958, formou-se bacharel em História Natural pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em 1969, fez o mestrado e em 1972, concluiu o doutorado em Ciências Biológicas (Botânica), pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1979, fez o pós-doutorado no Smithsonian Institution, nos Estados Unidos, em Palinologia, Morfologia de Pólen e Botânica e, em 1980, na University of Minnesota, também no país norte-americano, em Geologia Ambiental, Paleontologia Estratigráfica e Climatologia Geográfica.

Maria Léa desenvolveu suas atividades científicas principalmente em São Paulo (Instituto de Botânica de São Paulo, Laboratório de Fisiologia Vegetal), de 1960 até 1970; na Universidade de Brasília (Departamento de Biologia Vegetal, do qual foi uma das fundadoras, ao lado do professor Luiz Fernando Gouvêa Labouriau (1970-1973); no IVIC (Instiuto Venezolano de Investigaciones Científicas) foi pesquisadora titular (1973-1988); na UnB, na volta, de 1988-1993, agora professora titular do Instituto de Geociências, onde se aposentou em 1993. Foi fellow da Fundação Gugenheim, membro da Academia de Ciências de Nova York, referee do importante periódico científico GRANA, diretora do CLAB (Centro Latinoamericano de Ciências Biológicas, UNESCO), presidente da Sub-Comissão sobre o Holocentro para a América do Sul do INQUA.

Dois livros, entre outros que publicou, marcaram a sua vida científica nos últimos anos: Critérios e Técnicas para o Quaternário (2006) e História Ecológica da Terra (2001), vencedor do Prêmio Jabuti.

Com este breve artigo, tenho a grande satisfação de homenagear a nossa querida professora Maria Léa (Mariléa para os mais próximos), com quem tive a satisfação de aprender, com a sua colaboração e orientação do professor Labouriau, princípios de palinologia e técnicas microscópicas, quando então publicamos :Labouriau, M.L.S. and Morhy, L. (l969) Pollen grains of plants of the "Cerrado". XXII Myrsinaceae and Polygalacea. An. Acad. brasil. Ciênc. 41(2): 249-258.", o meu primeiro trabalho científico, como Bolsista da FAPESP, antes de vir para a UnB.

*Lauro Morhy. Ex-reitor e professor emérito da UnB (lm@lauromorhy.com.br)

Fonte: Secretaria de Comunicação da UnB*