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Maria Lacerda de Moura - Trajetória de uma Rebelde

Publicado em 10 março 2017

https://www.youtube.com/watch?v=pom4W-FW4jo

Maria Lacerda de Moura (Manhuaçu16 de maio de 1887 — Rio de Janeiro20 de março de 1945) foi uma militante anarquista brasileira que se notabilizou por seus escritos feministas.

Formou-se na Escola Normal de Barbacena e trabalhou como educadora, adotando a pedagogia de Francisco Ferrer e lecionando em Escolas Modernas. Em 1920, no Rio de Janeiro, fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que combateria a favor do sufrágio feminino. Após mudar-se para São Paulo em 1921, se tornou ativa colaboradora da imprensa operária, publicando em jornais como A PlebeO Combate. Em 1923, desagradou outros anarquistas por se referir positivamente às reformas educacionais promovidas pelos bolcheviques na URSS, mesmo após a perseguição política que os anarquistas russos sofreram durante e após a Revolução Russa de 1917 ter se tornado pública. Entretanto, também recusou convites para ingressar no recém-formado Partido Comunista do Brasil. Entre 19281937, viveu numa comunidade agrícola autogestionária em Guararema, formada principalmente por anarquistas e desertores espanhóis, franceses e italianos da Primeira Guerra Mundial"livre
de escolas, livre de igrejas, livre de dogmas, livre de academias, 
livre de muletas, livre de prejuízos governamentais, religiosos e 
sociais"
. A repressão política durante o governo de Getúlio Vargas forçou a comunidade a se desfazer, levando-a a fugir para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na Rádio Mayrink Veiga lendo horóscopos. Fez parte da maçonaria e da Rosa Cruz, mas se distanciou desta publicamente, após saber que sua sede em Berlim havia sido cedida aos nazistas, e desautorizou seu filho adotivo a reconhecê-la, após este ter se associado aos integralistas.
Sua última conferência (O Silêncio) foi realizada no Centro Rosa Cruz, 
ao qual voltou a se ligar ao final de sua vida. Além de pacifista, foi 
também vegetariana[1] e antivivisseccionista[2]


Obras

Dentre seus vários livros se destacam:

  • Em torno da Educação (1918)
  • Porque vence o porvir? (1919)
  • Renovação (1919)
  • A mulher e a maçonaria (1922)
  • A fraternidade na escola (1922)
  • A mulher hodierna e o seu papel na sociedade (1923)
  • A mulher é uma degenerada? (1924)
  • Lições da Pedagogia (1925)
  • Religião do amor e da beleza (1926)
  • De Amundsen a Del Prete (1928)
  • Civilização, tronco de escravos (1931)
  • Clero e Estado (1931)
  • Amai-vos e não vos multipliqueis (1932)
  • Serviço militar obrigatório para a mulher? Recuso-me… (1933)
  • Han Ryner e o amor no plural (1933)
  • Clero e Fascismo, horda de embrutecedores (1933)
  • Fascismo – filho dileto da Igreja e do Capital (1933)
  • Português para os cursos comerciais (1940)
  • O Silêncio (1944)

 

Importância

Maria Lacerda de Moura é considerada uma das pioneiras do feminismo em 
Brasil, e certamente foi uma das poucas que observaram a condição 
feminina dentro da perspectiva da luta de classesAnticlerical, escreveu numerosos artigos e livros criticando tenazmente a moral sexual burguesa,
denunciando a opressão exercida sobre todas mulheres, e em especial as 
das camadas mais pobres. Entre os temas eleitos pela escritora, nós 
encontramos a educação sexual dos jovens, a virgindade, o amor livre, o 
direito ao prazer sexual, o divórcio, a maternidade consciente e a prostituição, assuntos considerados tabu
naquela época. Seus artigos foram publicados na imprensa brasileira, 
uruguaia, argentina e espanhola. A autora fundou também a revista 
Renascença, cujo foco foi a formação intelectual e moral das mulheres.


Em seu livro "Religião do amor e da beleza", Maria Lacerda de Moura defende o amor livre.
Para ela, o amor só seria livre quando as mulheres não fossem mais 
compelidas aos braços dos homens por estarem submetidas a 
constrangimentos financeiros (seja pelo casamento, pela prostituição ou 
pela "escravidão do salário"),
nem estivesse atada a preconceitos religiosos de qualquer natureza. A 
autora também procura diferenciar sua concepção de amor livre daquela 
defendida por pensadores como Émile Armand.

Sobre a autora

  • Moreira, Miriam Lifchitz (1984). Outra Face do Feminismo: Maria Lacerda de Moura. São Paulo: Ática.
  • Maria Lacerda de Moura – Trajetória de uma Rebelde (2003).
    Documentário de 32 minutos em VHS realizado pela equipe do Laboratório 
    de Imagem e Som em Antropologia, da Faculdade de Filosofia, Letras e 
    Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Apoio: FAPESP

 

Referências

 

  das Neves, Roberto (1980). Entre Colunas: Ensaios sociológicos e filosóficos 1ª ed. Rio de Janeiro: Germinal

  1. Hochschartner, Jon (2014). Socialists and Animal Rights vol. 6 1ª ed. New York: edição do autor

Ver também

Ligações externas

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Lacerda_de_Moura