Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Marcos Caseiro assume o comando do novo laboratório

Publicado em 01 abril 2005

Santos e região acabam de entrar na era da biologia molecular. E a nova realidade vai beneficiar, numa primeira etapa, pessoas infectadas pelo vírus HIV, o causador da aids, a síndrome da imunodeficiência adquirida.
A iniciativa foi comemorada ontem, na Fundação Lusíada, mantenedora do Centro Universitário Lusíada (Unilus), durante a inauguração do Laboratório de Biologia Molecular, que ficará sob a coordenação do médico infectologista Marcos Caseiro. ''É uma conquista extremamente importante para a independência de Santos e região no combate à aids'', comemorou Caseiro.
Localizado na Rua Osvaldo Cruz, trata-se do primeiro laboratório na Baixada Santista para sequenciar o código genético de todos os seres vivos.
No entanto, como frisou Caseiro, ontem foi dada a largada para a primeira etapa do empreendimento: sequenciar os genes de portadores de HIV para verificar se desenvolveram resistência a medicamentos retrovirais.
''No análise do código da molécula de HIV, será possível saber se o portador da doença já criou defesas contra os remédios. Desta forma, outras formas de combater a doença serão adotadas'', explicou o médico.
A implantação do laboratório é resultado de uma parceira entre a Fundação Lusíada, que investiu R$ 1 milhão, o Laboratório do setor farmacêutico Roche, doador do equipamento sequenciador — que custa R$ 300 mil — e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio da qual Caseiro desenvolveu parte deste projeto.
Na ocasião, o reitor da Fundação Lusíada, Nelson Teixeira, destacou a importância do projeto idealizado pelo médico Marcos Caseiro. ''Nasce um sonho de mais de três anos. Nasce também a oportunidade de atendermos à população com a mais alta tecnologia'', disse o reitor.
Para o gerente da unidade de aids e transplantes da Roche, Geraldo Peloia, a doação do sequenciador representa uma vitória para a Baixada. ''Nós acreditamos no projeto do Marcos que irá trazer inúmeros benefícios para a região'', ressaltou Peloia. ''Existem somente sete equipamentos como este no País, todos eles em instituições públicas. Nós somos a primeira no setor privado a ter um laboratório como este'', emendou Caseiro.

Benefícios
A coordenadora do departamento de aids de São Vicente, Ilham El Maerrwai, disse que o laboratório irá diminuir muito o tempo de análises de amostras de sangue. ''Nós tínhamos um prazo de quatro horas para levar as amostras para São Paulo. Muitas vezes, estourávamos esse tempo e o paciente tinha que fazer nova coleta''.
''Além disso, dois a quatro meses era o tempo de recebermos de São Paulo o resultado das análises. Agora esse prazo será de duas a quatro horas'', completou Caseiro, que faz jus ao seu sobrenome. ''Eu poderia ter ficado nos Estados Unidos, mas não aguentei ficar longe de Santos. Acreditei no meu projeto e os frutos estão sendo colhidos agora. É a concretização de um sonho'', comemorou.