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Revista LocaWeb

Marcas nos detalhes

Publicado em 01 janeiro 2018

Por Thalita Ribeiro

O que é a impressão de códigos nanométricos coloridos? É uma tecnologia que permite criar, com lasers, marcas minúsculas em diferentes superfícies. Um de seus diferenciais em relação a outras marcações é a durabilidade na peça: será eterna. Há um detalhe ainda em relação às cores: no Brasil, já usamos marcações a laser, mas com apenas uma cor. Na tecnologia que estamos desenvolvendo para gerar os tons, elas são produzidas pelas nanoestruturas periódicas, ou seja, ondas nanométricas, que são capazes de formar diferentes cores em um mesmo símbolo a ser gravado na peça.

Qual é a aplicação prática dessa tecnologia? A princípio, é possível identificar duas áreas com as quais a marcação nanométrica a laser pode contribuir. A primeira delas é a linha branca de eletrodomésticos, pois as fabricantes poderão deixar em seus produtos marcas que identifiquem como sendo delas, como logos ou botões funcionais no aparelho. O outro setor é o da autenticação: o setor automotivo, por exemplo, pode marcar suas peças com laser femtossegundo (unidade de medida de tempo que corresponde a um quadrilionésimo de segundo) e permitir ao consumidor final identificar que são originais em um momento de troca ou manutenção.

Há uma previsão de chegar ao consumidor final? Ainda não. A primeira fase do projeto foi concluída em fevereiro de 2017, que consistia no desenvolvimento da tecnologia. Agora, pretendemos submeter para análise da Fapesp, a segunda fase do projeto, que vai demonstrar a capacidade de venda da tecnologia em escala industrial. Hoje, o que a BR Labs oferece no mercado é o serviço. Para a venda da tecnologia estimo que demore cerca de dois anos para chegada ao mercado.

Em quais materiais a tecnologia pode ser empregada? Nós já fizemos testes em aço, titânio, bronze, latão, prata, ouro, alumínio e acrílico. Deles, os melhores desempenhos foram em aço e titânio. Neste último, a área da saúde vai ser beneficiada, uma vez que próteses, por exemplo, são em titânio. No caso do acrílico, ainda vemos uma dificuldade quanto a marcação pois, durante o processo, o material acaba sendo marcado em baixo relevo e a leitura, pelo aplicativo, é apenas sobre superfície do material.

Será necessário usar um software específico para a leitura desse tipo de marcação, como de QR Code? Sim, nós estamos trabalhando nisso também. A aparência da marcação nas peças é similar às pinturas pontilistas: dependendo do ângulo e a olho nu, você não identifica exatamente o que é, mas o aplicativo, por meio da câmera do celular, vai lê-lo.

Como o assunto é tratado fora do país, nos Estados Unidos, por exemplo? Ainda é algo novo e igualmente caro. Há estudos publicados, mas mesmo nos Estados Unidos a tecnologia ainda não é aplicada em escala industrial. Quanto ao custo, a ideia de desenvolver aqui é justamente torná-la mais barata, mas ainda não temos uma ideia do valor do investimento para as indústrias.

Você é do meio acadêmico. Agora, une a área ao setor empresarial. Há muitas diferenças entre elas? Sim, existem, mas acredito que encontrei um ponto de equilíbrio. Uma das coisas que falta no Brasil é essa interação entre a empresa e a universidade, uma precisa da outra. Percebi que a tecnologia desenvolvida precisa chegar à comunidade. Vejo um pouco dessa interação em alguns estados do país, sobretudo em São Paulo, que é onde estou. Como o projeto é desenvolvido também em parceria com o Instituto de Física de São Carlos, da USP, consigo ver essa interação.

O que você procura em um profissional ao montar um time? Criatividade e interesse por novos assuntos são dois pontos importantes para mim. Trabalho com alunos da Escola de Engenharia de São Carlos e do Instituto de Física de São Carlos, portanto, também avaliamos o desempenho acadêmico. Pude perceber, porém, que alguns alunos que entregam um bom resultado na universidade não pensam muito na aplicabilidade dos estudos. Dessa forma, busco balancear e procurar um perfil que mescle o interesse pela academia e pelo trabalho. //