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Marca eletrônica vai mostrar migração do marlim-azul

Publicado em 10 janeiro 2019

Por Eduardo Pimenta

Um pequeno dispositivo eletrônico colocado num marlim-azul durante um torneio de pesca (foto), poderá mostrar os hábitos do animal e sua rota de migração nos oceanos. No dia 5 de janeiro a lancha Greenboat do comandante Philip Greenman partiu ás 5 h da manhã do píer do Iate Clube do Rio de Janeiro-ICRJ em Cabo Frio com uma missão especial. Colocar uma marca eletrônica no marlim-azul e devolvê-lo ao mar. O dispositivo está programado para se desprender automaticamente após 12 meses. Ao atingir a superfície ele envia dados armazenados no período, como, profundidade, deslocamento, temperatura da água entre outros dados, para o conjunto de satélites Argos que transmitem as informações para os computadores dos cientistas.

Segundo o professor Alberto Amorim, do Instituto de Pesca em Santos, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que coordenou a missão científica, a parceria dos pescadores é vital para a realização do projeto realizado em parceria com o professor Eduardo Pimenta (Universidade Veiga de Almeida-UVA), com apoio da Fapesp-Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. “Os pesquisadores não têm a infraestrutura adequada para realizar o estudo, como lanchas, tripulação e equipamentos para navegar a mais de 150 milhas em busca destes peixes e pescadores habilidosos em trazer o marlim-azul próximo ao barco para a colocação da marca e devolvê-lo ao mar em prefeitas condições para prosseguir sua rota”, afirma Amorim. Na tripulação da Greenboat pescadores experientes colaboraram para o sucesso da empreitada. Entre eles, Eliseu Soares Filho, diretor de Pesca do ICRJ, que aos 84 anos, se orgulha de ter praticado a pesca esportiva por 78 anos, e ainda, Flávio Reis Filho (Funa), Marco Aurélio Vahia de Abreu, Maurício de Souza e Altivo Silva de Oliveira. O comandante Philip, 55 anos, pescador desde os 8 de idade, é representante da IGFA no ICRJ. Segundo Amorim, estudos feitos com marcas tradicionais já trouxeram informações preciosas para o estudo do marlim-azul, um peixe que pode chegar a cerca de 8oo quilos, com o recorde mundial de 636 quilos obtidos pelo brasileiro Paulo Amorim, já falecido, em 1992 em Vitória, Espírito Santo.

As marcas tradicionais são colocadas no peixe com um pequeno número de série, e informações como local de soltura, data e tamanho estimado do peixe, são registrados e armazenados em computadores. Quando o peixe é recapturado a numeração permite mostrar onde o peixe foi liberado e quanto cresceu no período entre a soltura e a recaptura. Um marlim-azul marcado e liberado em 1992 em Delaware, na costa leste dos Estados Unidos, foi recapturado após três anos em frente às Ilhas Maurício, no Oceano Índico, no sudeste do continente africano. A distância entre os dois pontos é de 9.100 milhas náuticas (16.853 quilômetros) distância mínima percorrida pelo peixe.

Hoje com as marcas eletrônicas as informações são mais acuradas e de mais rápido acesso, o que permite um maior desenvolvimento da pesquisa destes magníficos animais marinhos, que são o caminho certo para sua conservação. “Até quatro meses após a marcação os peixes têm sido encontrados próximos a área em que foram liberados, por isso a marca eletrônica colocada agora foi programada para se soltar após um ano, quando será possível saber um deslocamento mais longínquo”, afirma Amorim. Se o peixe se desloca para outros países, é importante o estabelecimento de legislações conjuntas, pois ele é um bem comum. No Brasil a pesca esportiva já pratica o pesque e solte, e a pesca comercial não pode embarcar tanto o marlim-azul, como o marlim-branco, espécie menor que chega até cerca de 100 quilos.

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Texto e fotos, Eduardo Pimenta.