Notícia

Ministério do Planejamento

Máquinas lideram gasto com inovação em SP

Publicado em 17 agosto 2007

Por Raquel Salgado

O investimento em inovação ainda é muito tímido na indústria paulista, especialmente nas micro, pequenas e médias empresas. A maior parte dele está voltado para melhorias incrementais, como a aquisição de máquinas e equipamentos. Apenas 20% das indústrias do Estado pretendem investir diretamente em atividade internas de pesquisa e desenvolvimento, ao passo que somente 10% delas planejam inovar em processos ou em produtos. Ao mesmo tempo, chama a atenção a falta de informação sobre fontes de financiamento e órgãos de fomento e o pouco uso do recurso público para inovação. 

Este é o retrato apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) através da sondagem "Necessidades de inovação da indústria paulista 2007". A pesquisa ouviu 230 empresas, sendo 64% delas pequenas e médias, 27,4% micro e 8% grandes empresas. 

José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade e tecnologia da entidade, explica que a pesquisa deixa claro que nos últimos dois anos os empresários brasileiros perceberam que a inovação tecnológica é uma ferramenta fundamental para aumentar a competitividade das empresas, principalmente no enfrentamento da concorrência externa, como no caso dos produtos asiáticos. 

O que se vê, no entanto, é que os desejos ainda demoram a sair do papel. A aquisição de máquinas e equipamentos e não o investimento direto em pesquisa ou em inovação de processos é o principal destino dos recursos das empresas paulistas: 24% delas planejam comprar estes bens de capital. No caso das pequenas empresas, esse percentual sobe para 41%. Em compensação, apenas 6% delas têm planos de investir em atividades internas de P&D. 

"Todos colocam a inovação como saída para enfrentar a concorrência, mas a verdade é que pouco se avançou nesta área", diz Coelho. Para ele, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento ainda estão muito restritos a grandes empresas e a projetos pontuais. "É preciso que a inovação seja contínua e sistemática", explica o empresário. 

A pesquisa mostra que um grande entrave é a falta de informação por parte das empresas. A principal fomentadora de projetos de inovação, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é desconhecida por mais da metade da amostra: 53%. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp, é menos popular ainda. Só 45% afirmaram saber de sua existência. Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não está tão em baixa. Quase todas as indústrias já ouviram da instituição. O cenário das grandes empresas, porém, é bem diferente da média da pesquisa. A maioria (72%) conhece a Finep. 

O desconhecimento se reflete no baixo uso do dinheiro público para inovação. Nos últimos dois anos, 70% das empresas que inovaram usaram recursos próprios. O percentual é maior ainda para as micro (79%) e nas grandes empresas (72%). Os investimentos públicos, por sua vez, representaram, para o total das empresas pesquisadas, apenas 13% do investimento nesta área. Mesmo nas grandes empresas, que têm mais acesso aos instrumentos de financiamento, como os do BNDES e da Finep, o dinheiro público representa apenas 12% dos recursos utilizados. 

Para mudar este cenário, a Fiesp elaborou uma agenda propositiva de "Políticas de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico para o Brasil e o Estado de São Paulo". A idéia é mostrar o resultado da sondagem, apontar os principais problemas e propor soluções. Uma das idéias passa pela ampliação da participação do mercado de capitais no financiamento à inovação. "Também vamos aproveitar a capilaridade da Fiesp para melhorar o acesso à informação por parte das empresas a respeito dos instrumentos e incentivos existentes", diz Roriz.