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Correio Popular (Campinas, SP) online

Máquina aperfeiçoa compostagem

Publicado em 13 agosto 2020

Por Da Agência Anhanguera

Uma empresa localizada na cidade de Santa Bárbara d´Oeste, na Região Metropolitana de Campinas (RMC), desenvolveu uma máquina que vai modificar a forma de destinação e utilização de sobras de comida de restaurantes industriais, resíduos sólidos de suinocultura e lodo de esgoto. A empresa 5 Ecos criou um equipamento para realizar compostagem desses resíduos no período de 24 a 36 horas. O projeto acabou recebendo recursos do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe-Fapesp). Além disso, contou com auxílio de pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, para traçar novos caminhos para melhoria do processo e automação do equipamento.

Segundo Mariana Helena Pereira, responsável pela 5 Ecos, a empresa desenvolveu um equipamento inédito, com tecnologia totalmente nacional, capaz de reciclar o lixo orgânico de forma acelerada. Com ele é possível transformar o resíduo de restaurantes industriais, produção agropecuária e lodo de esgoto, obtido a partir do esgoto urbano, em um composto orgânico que pode ser usado como fertilizante na produção de alimentos.

A reciclagem, ou processo de decomposição, é feita sem odor, sem chorume, sem poluição e reduz o volume do lixo em até 90%, além de reduzir a área de pátio destinada à compostagem e logística de revolvimento do composto. O processo de compostagem em pilhas demora 60 dias para a decomposição dos materiais orgânicos e mais 60 dias para a estabilização do composto orgânico.

No mercado há cinco anos, a empresa procurou pelos pesquisadores da APTA em 2018 para melhorar o processo, principalmente de utilização desse composto na agricultura. “Percebemos que o uso do composto não estava sendo empregado com sucesso na agricultura, por isso, procuramos a APTA para saber o motivo. As plantas ficavam amarelas e não se desenvolviam”, conta Mariana.

A partir de análises laboratoriais, os pesquisadores da APTA descobriram que o motivo estava na quantidade desbalanceada de carbono e nitrogênio, além do excesso de sódio, que causava salinização do solo, dificultando a absorção de água pelas plantas.

“Propomos diversos ajustes para a total automatização do equipamento e para melhorias no processo de compostagem, para adequação do composto final às normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para registro e comercialização de fertilizantes e compostos orgânicos”, explica Edna Bertoncini, pesquisadora da APTA.

A empresa, juntamente com o grupo de pesquisa da APTA, trabalha agora para submeter um novo projeto à Fapesp para obter financiamento na segunda etapa do Pipe, visando à construção de modelo piloto da máquina, com todas as modificações observadas na primeira fase do projeto, levando em consideração o equipamento e sua automação, o processo de compostagem para entregar ao mercado um produto de qualidade e eficiente, auxiliando a reduzir os resíduos orgânicos que vão para aterros sanitários, e reutilizando-os de forma sustentável em solos agrícolas.

Pipe Fapesp

O programa Pipe da Fapesp apoia a execução de pesquisa científica e/ou tecnológica em micro, pequenas e médias empresas no Estado de São Paulo. O programa tem o objetivo de apoiar a pesquisa em ciência e tecnologia como instrumento para promover a inovação tecnológica, o desenvolvimento empresarial e aumentar a competitividade das pequenas empresas.

O Pipe visa ainda incrementar a contribuição da pesquisa para o desenvolvimento econômico e social, induzir o aumento do investimento privado em pesquisa tecnológica, possibilitar que as empresas se associem a pesquisadores do ambiente acadêmico em projetos que visem à inovação tecnológica, além de contribuir para a formação e o desenvolvimento de núcleos de desenvolvimento tecnológico nas empresas e para o emprego de pesquisadores no mercado.

“A parceria das empresas, Fapesp e instituições de pesquisa é de total importância. Como uma pequena empresa como a 5 Ecos teria recursos para contratar um pesquisador com a experiência e renome dos especialistas da APTA ou como teria dinheiro para pagar por um serviço tão especializado como esse? Essa é, com certeza, uma fórmula de sucesso e foi de fundamental importância para o desenvolvimento da nossa empresa. Sou uma garota propaganda dessa iniciativa”, afirma Mariana. As informações são da Secretaria de Abastecimento do Estado de São Paulo.

Processo não utiliza aditivos químicos

As Recicladoras de Lixo Orgânico da 5 ecos são equipamentos 100% desenvolvidos e fabricados no Brasil. As máquinas utilizam processo de compostagem acelerada sem o emprego de aditivos químicos. O lixo orgânico é reduzido e transformado em composto natural, rico em nutrientes e livre de patógenos, de volume 10 a 30% do volume original, em 24 horas. O processo permite algumas cargas periódicas em intervalos curtos, o que diminui tempo de armazenamento do lixo no dia e facilita o manuseio. As recicladoras são feitas em diversos modelos, como UC 500 — que tem capacidade de carga de 500 Kg/ciclo. Tem ainda os modelos UC 300 e UC 100. Um outra vantagem é o fato de o empresário poder destinar o lixo para processamento a qualquer hora. Trata-se de um processo limpo, livre de “chorume” e odores desagradáveis.

SAIBA MAIS

Quando o lixo orgânico é depositado na recicladora, os parâmetros do ambiente são controlados de tal forma que a compostagem acontece no seu melhor rendimento, ou seja, na decomposição do lixo orgânico de forma acelerada. É capaz de converter o lixo orgânico em um composto de volume muito reduzido (em média 20% do volume original em 24hs), rico em nutrientes e livre de patógenos.

O processo das máquinas recicladoras impede que o lixo orgânico se transforme em matéria infecciosa, chorume e metano, anulando seu potencial poluidor e transformando-o em composto.

Tem ainda, a vantagem de ser adequada a diversos segmentos como indústria, cozinhas industriais, restaurantes comerciais, hospitais, hotéis, supermercados, condomínios, shopping centers ou qualquer outra que gere lixo orgânico.

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