Notícia

Diário de S.Paulo

Mapear as pintas do corpo revela as chances de ter câncer de pele

Publicado em 05 fevereiro 2009

Por Cinthia Rodrigues

Você gostaria de descobrir suas chances de ter câncer de pele? Pois saiba que existe uma avaliação capaz de responder a essa pergunta. Ela combina exames e questionários, revelando assim se a pessoa terá 50% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida.

A avaliação não fez sucesso em outros países, como Estados Unidos, Holanda e Espanha. Mas o Brasil está dando um bom exemplo: todas as 44 famílias convidadas aos testes toparam a proposta. Assim, esse público poderá identificar o tumor com antecedência e aumentar de 5% para 90% as chances de cura.

Os testes estão sendo feitos no Hospital A. C. Camargo e coordenados pelo dermatologista Alexandre Leon, com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo). São procuradas pessoas que tenham dois parentes com casos de câncer de pele do tipo melanoma — que se esconde atrás de uma pinta. Segundo Leon, até pessoas que não se encaixam neste perfil já o procuraram.

Quando uma família tem dois casos da doença, todos os parentes de primeiro grau são convidados a fazer uma dermatoscopia digital, que é um mapeamento de todas as pintas do corpo com tamanho maior que 0,2 centímetros. "O normal é ter cerca de 20 destas", afirma.

O exame aponta quais delas tem estrutura fora do comum e devem ser investigadas como possíveis tumores. Também é feito um questionário de exposição ao sol. Pessoas que tomaram muito sol ou tem muitas pintas são monitoradas.

Teste a cada 6 meses

O exame mais específico e precoce é com DNA. Separa-se um gene que, se tiver a mutação conhecida pelos cientistas, sinaliza pré-disposição ao melanoma. Segundo o dermatologista, 50% das pessoas com a mutação terão o tumor. "É uma notícia difícil de se receber, a pessoa vai conviver com a hipótese, mas também poderá se prevenir", afirma Leon.

Das 44 famílias participantes, cerca de 10% dos membros tiveram resultado positivo. Eles farão o mapeamento de pintas a cada seis meses e poderão retirar o tumor precocemente antes que ele se espalhe.