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UFES - Universidade Federal do Espírito Santo

Mapeamento do fundo do mar de Abrolhos ganha repercussão internacional

Publicado em 26 junho 2012

O trabalho pioneiro de mapeamento do fundo marinho de Abrolhos, realizado por diversas universidades do Brasil, chegou ao litoral do Espírito Santo. Seus resultados irão nortear o planejamento de atividades econômicas na costa capixaba.

O projeto ganhou repercussão internacional, com publicações na revista Plos One e destaque em duas edições recentes da revista Science, nas seções "News of the week" e "Editor's Choice".

A pesquisa teve início em 2008 mapeando a área de preservação localizada em Abrolhos, que tem o maior banco de algas calcárias tipo rodolitos do mundo, com uma produção de carbonato de cálcio comparável a de lugares como o Caribe. Estudos com o material colhido pelos pesquisadores são feitos no laboratório de Oceanografia da Ufes, localizado em Santa Cruz, no município de Aracruz.

Um dos coordenadores da pesquisa, o professor Alex Bastos do Departamento de Oceanografia da Ufes, explica que um dos objetivos da pesquisa é fornecer ao governo do Espírito Santo o conhecimento sobre os tipos de fundos marinhos que existem no nosso território, servindo de auxílio nos projetos de desenvolvimento econômico, seja ele para instalação de dutos, para pesca, entre outros.

A biodiversidade do oceano tem importância extrema na questão climática, pelo fato de abrigar cadeias de alimentação e corredores de migração oceânica. Se houver exploração indevida, essas cadeias podem ser afetadas. As descobertas impactaram o Ministério do Meio Ambiente.

“A partir de agora, pelas discussões que tivemos em Brasília, o nosso conhecimento será utilizado como base para a criação de unidades de conservação, áreas de proteção integral. Esse conhecimento científico será usado como uma ferramenta importante”, disse Alex Bastos.

O Governo do Estado se interessou diretamente por esta pesquisa e aporta recursos por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes). A pesquisa também ganhou destaque na imprensa nacional como nos jornais Estado de São Paulo, O Globo, Agência Fapesp, Boletim da Faperj, National Geographic Brasil, além de matéria no Fantástico, na Rede Globo.

Logística

Na etapa em que o litoral da Bahia foi mapeado, os pesquisadores de várias partes do País precisavam ir de avião até Vitória ou Porto Seguro (BA) e de lá seguir de ônibus até o local de partida para a pesquisa. Além disso, carros levavam os equipamentos. Para poder chegar ao oceano, são usadas embarcações locais, e o pesquisador chega a ficar 10 dias embarcado, trabalhando no mapeamento. Os custos dos aluguéis e da locomoção é todo arcado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fapes.

Doze alunos da Ufes participam do projeto, e algumas teses de mestrado tiveram como base o mapeamento de Abrolhos. Os principais coordenadores são Alex Bastos (Ufes), Rodrigo Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fabiano Thompson (UFRJ) e Gilberto Amado (Jardim Botânico-RJ). Participam ainda da pesquisa a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).