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Revista O Papel

Mapeamento de biomassa residual de eucalipto da fase agrícola na região administrativa de Campinas-SP

Publicado em 01 setembro 2019

Por 2016/50612-8

Com a intenção de apontar estratégias para o fomento ao desenvolvimento tecnológico e inovação, o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (NIPE) da UNICAMP e a Universidade de Bath (Inglaterra) possuem parceria em projeto temático financiado pela Fundação de Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), FAPESP 2016/50612-8, intitulado An integrated approach to explore a novel paradigm for biofuel production from lignocellulosic feedstocks, para setores agroindustriais intensivos na geração de resíduo lignocelulósico na fase agrícola.

Especificamente, em relação ao setor de celulose e papel, o objetivo no “módulo sustentabilidade” é buscar, entre os seus vários propósitos, avaliar o potencial da geração de resíduos de eucalipto fase agrícola e sua inserção como matéria-prima no setor sob o conceito de biorrefinaria. Para tanto, investiga- se as oportunidades das diferentes abordagens para converter esta matéria-prima não convencional em produtos químicos e biocombustíveis.

Esta coluna apresenta alguns dos resultados iniciais do “módulo sustentabilidade”, quanto ao georeferenciamento das florestas de eucaliptos da Região Administrativa de Campinas-SP (RAC). Os resultados iniciais pós- montagem de banco de dados georrefenciados já permitem elaborar recomendações para os formuladores de políticas públicas, geração de energia, produtores de base biológica e produtores de matérias-primas nas decisões de novos investimentos, ou seja, uma janela de oportunidades de novos negócios aos players produtores de celulose com plantas industriais na RAC.

A valoração dos resíduos da fase industrial tem sido realizada com relativo sucesso, sobretudo com o licor negro e a produção de energia, enquanto para os resíduos da fase agrícola, tem-se ainda um longo caminho a percorrer na cadeia de inovação, prescindindo de esforços na identificação de novas rotas sustentáveis e economicamente viáveis. A agregação de valor aos resíduos lignocelulósicos das florestas de eucaliptos é uma nova estratégia de negócio que corrobora na alavancagem da transição para uma economia de baixo carbono.

As condições de produção de resíduos lignocelulósicos e a disponibilidade de florestas plantadas na RAC são aspectos extremamente favoráveis, quando se considera seu uso energético e a produção de produtos de base biológica, o que, associado à existência de tecnologias em estágio comercial para transformação de resíduos em bioenergia e bioprodutos dão a RAC e, consequentemente, ao segmento produtor de celulose, a oportunidade de liderar o desenvolvimento tecnológico de uma nova cadeia de valor. A biomassa lignocelulósica pode ser dividida em três plataformas químicas para fins de produzir novos produtos: i) gás de síntese, ii) óleo de pirólise e iii) lignina, celulose/hemicelulose e proteínas.

A partir dessas plataformas, uma série de valiosos compostos podem ser obtidos por transformações químicas ou biológicas (Figura 1). Entre as plataformas ilustradas na Figura 1, a dos carboidratos tem despertado maior interesse da comunidade científica. Essa crescente motivação pode ser compreendida como base nos compostos com diferentes grupos funcionais que podem ser precisamente obtidos a partir dos açúcares C5 e C6. A RAC tem uma população de mais de 6 milhões de habitantes e um PIB em torno de R $ 140 bilhões (17% do PIB do Estado de São Paulo) (Figura 2).

A RAC ocupa uma área de 27.079 km², que representa 10,9% do território total do Estado de São Paulo. É caracterizada por uma agricultura moderna e sofisticada, pelo expressivo parque industrial no interior do Estado de São Paulo e por um setor de serviços moderno sofisticado e de alta tecnologia. A identificação e a localização georreferenciada das áreas de uso ocupadas com eucalipto (Figura 3) foi realizada utilizando informações de imagens de satélites.

O cultivo do eucalipto é uma atividade presente em aproximadamente 40% dos municípios que compõem a RAC. Mogi-Guaçu e Brotas, são os municípios que lideram na produção madeira oriunda do eucalipto na RAC (66% do total da RAC) (Figura 3).