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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Mapa da vegetação nativa paulista é ampliado em 4,9%

Publicado em 31 julho 2020

Em uma década, o Estado de São Paulo registrou aumento de 4,9% na sua área de vegetação nativa, de acordo com a versão mais recente do Inventário Florestal, lançado dia 23 de julho. A informação é do site da revista Pesquisa, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A matéria, assinada por Carlos Fioravanti, mostra a evolução da cobertura vegetal no território paulista desde o levantamento anterior, de 2010. Segundo a reportagem, as áreas com vegetação nativa encontram-se dispersas em 385 mil fragmentos e ocupam 22,9% – ou 56,7 mil quilômetros quadrados – do Estado. O crescimento da área de vegetação nativa se deu por meio da comparação entre os dois levantamentos, depois dos ajustes de escala. Desta vez, devido ao aumento da escala, foram incluídos 185 mil fragmentos com área mínima de mil metros quadrados, somando 395,8 mil hectares. O inventário foi realizado pela empresa GeoAmbiente, de São José dos Campos, com financiamento da Câmara de Compensação Ambiental do Estado. O levantamento vem sendo realizado a cada dez anos, desde 1990, quando houve a primeira versão. As conclusões deste ano se apoiam na análise de 625 imagens do Estado de São Paulo feitas de 2017 a 2019 por três satélites americanos – WorldView-1, GeoEye e QuickBird, com resolução espacial de meio metro, 400 vezes maior que a da versão anterior, de 2010.

Maiores e menores

Ilhabela, Iporanga e Pedro de Toledo são os municípios paulistas com maior área de vegetação nativa, respectivamente 94,1%, 90,9% e 90% de seus territórios. Inversamente, São Caetano do Sul, Cruzália e Pedrinhas Paulista são os com menor cobertura vegetal, respectivamente com 1,6%, 3,7% e 3,9%. A ideia é que o inventário sirva de base para políticas públicas na área ambiental, como as de fiscalização, conservação, licenciamento e planejamento espacial, inclusive o zoneamento ecológico-econômico.

Regeneração supera desmatamento

Segundo o inventário, a vegetação nativa continua concentrada na serra do Mar, cujo relevo dificulta a ocupação urbana e a agricultura, e é escassa a oeste do Estado (região de Presidente Prudente, por exemplo). Porém no conjunto a regeneração florestal já é maior que o desmatamento, segundo disse à revista o físico Marco Aurélio Nalon, pesquisador do Instituto Florestal de São Paulo e coordenador do trabalho. O inventário indicou ainda que as diversas formas de Mata Atlântica e de Cerrado cobrem no máximo 15% da superfície de metade (54%) dos 645 municípios paulistas.

Frase

“O ideal seria uma área verde mínima de 20% em cada município para que a vegetação pudesse prestar serviços ambientais, como regular a temperatura, a umidade e os estoques de água e proteger o espaço urbano contra inundações e deslizamentos de encostas” – cientista Marco Aurélio Nalon, em entrevista à revista da Fapesp.

Mata Atlântica protegida

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza prorrogou até 31 de julho as inscrições para a chamada de negócios que irão compor o 1º Mapa de Empreendedorismo Sustentável na Grande Reserva Mata Atlântica. O objetivo é apoiar negócios de impacto socioambiental positivo que beneficiem a biodiversidade da Mata Atlântica. É um projeto para desenvolver e levar investimentos para localidades do litoral sul abrangidos pela Mata. No Estado de São Paulo, fazem parte desse mapa os municípios de Apiaí, Barra do Turvo, Cajati, Cananéia, Capão Bonito, Eldorado, Guapiara, Ibiúna, Iguape, Ilha Comprida, Iporanga, Itaóca, Itariri, Jacupiranga, Juquiá, Juquitiba, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Peruíbe, Piedade, Pilar do Sul, Ribeirão Grande, São Miguel Arcanjo, São Paulo, Sete Barras e Tapiraí.

Um exemplo positivo na pandemia

Araraquara, na região central do Estado, tem a menor taxa de mortalidade por covid-19 do Estado de São Paulo e uma das menores taxas de letalidade do Brasil. De acordo com levantamento da Fundação Seade, a cidade teve até junho 810 casos confirmados e apenas 10 mortes, resultando em uma taxa de letalidade de 1,2%, a mais baixa entre municípios com mais de 500 casos confirmados. Comparando, Rio Claro teve no período taxa de letalidade de 5,7%. Na sexta-feira (24) a taxa de letalidade de Araraquara estava em torno de 1%.

A estratégia de Araraquara

Oito ações de Araraquara para enfrentamento da covid-19, segundo a Prefeitura: 1- Expansão do horário de atendimento das redes básicas de saúde regionais, não sobrecarregando a rede de urgência e emergência; 2- Telemedicina: atendimento pelo 0800, o que serve de triagem em casos leves; 3- “Equipes de bloqueio”: ao identificar um paciente diagnosticado, profissionais vão a campo para criar um ambiente de isolamento daquele paciente e pessoas que estiveram em contato; 4- Centro de Referência de Coronavírus: Uma das UPAs ganhou equipes especializadas; 5- Parceria com a universidade – A faculdade de Farmácia da Unesp passou a fazer exames em todos os sintomáticos. Há mais agilidade nos resultados; 6- Inquéritos epidemiológico: mapeamento por onde a doença passou pela cidade, com testes em pessoas de grupo de riscos por comorbidades, bairros carentes e profissionais mais expostos à contaminação; 7- Hospital de Campanha: 51 leitos (30 leitos de enfermaria e 21 leitos de UTI) em apenas 5 semanas. 8- Comitê de solidariedade ampliou programas de segurança alimentar.