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Mapa da exclusão fica ocioso sem apoio

Publicado em 27 março 2005

Cidade — Estudo da Unesp fica fora de políticas públicas de planejamento de obras e atendimento social

Falta de recursos, principalmente financeiros, pôs um dos maiores projetos sociais da cidade no ócio. O mapa da exclusão, concluído há dois anos, tem propostas que não saíram do papel por causa do desinteresse do poder público.
Agora, responsáveis pelo projeto têm em clubes de serviços único apoio para divulgação. Na semana passada, se reuniram com rotarianos interessados na proposta.
O encontro deve render outros, espera o sociólogo e professor da Unesp Edemir de Carvalho, um dos responsáveis pelo mapa. Mas ainda sem data definida.
Segundo ele, rotarianos estariam interessados em aprender a metodologia usada no mapa, para depois aplicá-la em projetos sociais desenvolvidos pelos próprios clubes.
O mapa da exclusão identificou favelas na cidade e estimou que pelo menos 17% da população, ou seja, aproximadamente 30 mil habitantes, podem viver em bolsões de miséria. Concluído no final de 2003, parou no desinteresse político.
"O poder público precisa assimilar os problemas. Não temos propriedade sobre o mapa. Não é algo de gabinete, é algo que precisa ser feito com a população", diz Carvalho.
Segundo ele, seriam necessários cerca de R$ 80 mil por ano para dar andamento à parte prática do projeto, que prevê políticas voltadas às áreas mais carentes.
Os recursos seriam para bancar custos com 30 bolsistas, dois em cada área de atuação do mapa, além de gastos com locomoção e alimentação. Também seriam necessários investimentos em torno de R$ 15 mil para compra de equipamentos e programas.
O uso do mapa da exclusão também seria importante, diz o sociólogo, para a elaboração do Plano Diretor de Marília, que precisa estar pronto até o final do próximo ano. Houve alguns contatos, mas a aproximação definitiva nunca aconteceu.
Diante do descaso, os sociólogos da Unesp vêm desenvolvendo projeto semelhante em Echaporã, município vizinho a Marília.
O mapa já está em fase de conclusão de deve ficar pronto até o final deste ano. Segundo Edemir, equipe tem apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).