Notícia

Pioneiro (RS)

Manta de fibra ótica para recém-nascido

Publicado em 20 setembro 1999

Em alguns meses os médicos terão uma nova e mais segura alternativa de tratamento para um dos problemas mais comuns nas maternidades: a icterícia em recém-nascidos. A doença atinge cerca de 5% dos recém-nascidos brasileiros e é provocada pelo excesso de bilirrubina no sangue, um pigmento biliar que deixa a pele da criança amarelada. Não tratada, a icterícia pode levar à surdez ou provocar problemas ao sistema nervoso central da pessoa. O tratamento tradicional é expor o recém-nascido a luzes fluorescentes, apenas de fraldas e com venda nos olhos. As ondas de luz azul decompõem a bilirrubina, que é, então, eliminada pelo organismo. Os riscos são baixos, mas a criança pode queimar-se com os raios ultravioleta se as lâmpadas ficarem muito próximas da pele ou a venda escapar dos olhos. Além disso, há desconforto com o calor (raios infravermelhos) das lâmpadas e a distância da mãe. Mas nos países desenvolvidos surgiu uma alternativa - usar uma manta de fibras óticas, maleável e segura, capaz de envolver o bebe e deixar passar apenas a luz azul, eliminando o calor e os raios ultravioletas. Uma destas mantas chegou ao Brasil por US$ 8 mil, importada pelo neonatologista Fernando Lucchini, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp (http://www.unicamp.br). E ele sugeriu o desenvolvimento de uma malha nacional à empresa Komlux (http://www.komlux.com.br), de Campinas, São Paulo. Cícero Lívio Omegna de Souza Filho, da Komlux, trabalhou com outros nove pesquisadores e técnicos durante 2 anos até obter uma manta, maior e mais aperfeiçoada do que a importada, que possivelmente chegará ao mercado a um preço em torno de US$ 2,5 mil. Nossa manta envolve o bebê por inteiro e permite à mãe mantê-lo próximo, como se estivesse apenas embrulhado num cobertor, conta Souza Filho. Ainda estamos testando maneiras de melhorar a assepsia, como a adaptação de um saquinho de material descartável, para evitar o contato direto com a pele do bebê. A primeira fase do desenvolvimento do produto recebeu financiamento de cerca de R$ 50 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br) e a segunda fase, atual, tem recursos adicionais de R$ 200 mil. Doença provocada por excesso de bilirrubina no sangue atinge 5% das crianças Mais informações com Cícero Omegna de Souza Filho pelo telefone (19) 2784959 ou endereço eletrônico cicero@komlux.com.br.