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O Progresso (Dourados, MS) online

Manaus torna-se ‘laboratório modelo’ para pesquisadores

Publicado em 21 fevereiro 2014

Para entender como o processo de urbanização das regiões tropicais do planeta afetará os ecossistemas locais e o clima global, cerca de 100 pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos que integram o projeto Green Ocean Amazon (GOAmazon) transformaram a região de Manaus, no Amazonas, em um laboratório modelo.

Diversas pesquisas serão realizadas ao longo de 2014 e de 2015, em quatro diferentes locais, em um raio de 150 quilômetros da capital amazonense, com o objetivo de compreender, por exemplo, como se dá a interação entre as partículas de poluição, os compostos naturalmente emitidos pela floresta tropical e as nuvens. Também é uma das metas do projeto desvendar como ocorrem os processos que produzem chuvas nos trópicos.

A campanha científica é financiada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), pela Fapesp e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Também são parceiros a National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Instituto Max Planck de Química, da Alemanha, além de diversas universidades e institutos de pesquisa brasileiros e americanos.

“Esse programa trata de um problema mundial. É preciso, portanto, compartilhar esforços, competências e investimentos para fazer frente a desafios como os que norteiam o GOAmazon.

São desafios que, a rigor, não têm fronteiras e as consequências das mudanças climáticas afetam a todos”, disse Odenildo Teixeira Sena, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas.

“A Amazônia é um tema prioritário para nós, do DoE, e sabemos que o desafio não será alcançado sem esse tipo de parceria”, disse Sharlene Weatherwax, diretora associada do Escritório de Pesquisa Biológica e Ambiental do DoE.

Reynaldo Victoria, membro da coordenação do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), destacou a satisfação da entidade com a parceria. “Temos muita vontade de ampliar esse tipo de colaboração, pois só conseguiremos algo melhor para o país e para a ciência se unirmos esforços”, afirmou.

O grupo de pesquisadores contará com equipamentos do Atmospheric Radiation Measuremente (ARM) Facility, do DoE, que estão sendo instalados em 11 contêineres laboratórios na Fazenda Agropecuária Exata S/A, localizada no município de Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus. O local recebe a pluma de poluição da capital, transportada por ventos que sopram de leste para oeste nos trópicos.

Os equipamentos serão usados para medir, entre outros fatores, a concentração de gases e de material particulado (aerossóis) na atmosfera, o fluxo de radiação solar e atmosférica, variáveis meteorológicas, como temperatura, velocidade e direção do vento, umidade, pressão atmosférica e fluxo do gás carbônico.

Também serão feitas medições em outros três sítios de pesquisa e utilizadas duas aeronaves – o Gulfstream, do DoE, e o Halo. Os aviões têm equipamentos para coletar dados de gases-traço, aerossóis e medidas de nuvens.

Do Progresso