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Mamífero mais antigo do Brasil é descoberto por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto

Publicado em 01 junho 2018

A descoberta do mais antigo mamífero a ter vivido em solo brasileiro, na região noroeste do Estado de São Paulo, foi realizada pelos pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP). O anúncio ocorreu na última quarta-feira, 30.

Em homenagem a um dos maiores artistas do século XX David Bowie, os pesquisadores batizaram a espécie descoberta de Brasilestes Stardusti, em referência ao alienígena Ziggy Stardust, personagem criado por Bowie no início dos anos 1970.

O mamífero, que tinha porte semelhante a de um gamba, viveu entre 87 milhões e 70 milhões de anos atrás, no fim da era Mesozoica. De acordo com os pesquisadores, esse é o único mamífero brasileiro que, sabe-se até o momento, conviveu com os dinossauros.

A descoberta foi da equipe do professor Max Langer, da FFCLRP, que ainda teve apoio de paleontólogos da Universidade Federal de Goiás, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Museu de La Plata, na Argentina, e do Massachusetts Institute of Technology, dos Estados Unidos.

O mamífero foi descrito a partir de um único fóssil, um dente pré-molar de 3,5 milímetros, conforme anunciou a Agência Fapesp. “O dente de Brasilestes é pequeno e se encontra incompleto, pois lhe faltam as raízes”, disse a paleontóloga Mariela Cordeiro de Castro, a primeira autora do trabalho que acaba de ser publicado na Royal Society Open Science.

O dente fossilizado foi encontrado em rochas da Formação Adamantina que afloram no meio de um pasto na fazenda Buriti, em General Salgado, município de 10 mil habitantes, que fica na região de São José do Rio Preto.

A descoberta foi por acaso. Mariela, que é professora da UFG, conta que um dos membros do grupo de pesquisa, Julio Marsola, observou o pequeno vestígio sobre uma rocha enquanto realizavam uma pesquisa de campo. “Brinco que, naquele dia, ele gastou a sua quota de descobertas extraordinárias para toda uma vida. E olha que ele nem estuda mamíferos, mas dinossauros”, completou a professora.

“Quando penso que alguns grupos de pesquisa chegam a peneirar uma tonelada de sedimento para achar um único fragmento de mamífero do Mesozoico, acredito que Mariela tenha razão, e que eu tenha de fato gastado toda minha sorte. Mas espero sinceramente que não”, respondeu Júlio Marsola, pesquisador da FFCLRP-USP.

Com informações Agência Fapesp