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Agência USP de Notícias

Malária sofre com corte na área da Saúde

Publicado em 07 abril 1999

Corte de verba do governo federal faz Centro Avançado de Pesquisa da Malária da USP diminuir atendimento e acompanhamento de pessoas infectadas pela doença em Rondônia. Corte de verbas dificulta estudos sobre a malária A desativação do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) a partir do próximo ano, anunciada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e os cortes orçamentários feitos pelo governo federal na área de saúde deixará em dificuldades financeiras o Centro Avançado de Doenças Tropicais da USP, localizado em Rondônia. Este núcleo de pesquisa estuda a malária desde 1989. "O problema da malária na região amazônica é complicado porque o mosquito transmissor está em seu habitat natural, por isso tratar esta doença em Rondônia é muito mais difícil do que tratá-la em São Paulo", explica Erney Plessmann Camargo, professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e um dos articuladores do programa desde seu nascimento. O campus avançado da USP, localizado em Porto Velho, iniciou-se com incentivos da Finep e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesses dez anos de trabalho foram realizadas pesquisas sobre diversas doenças tropicais. Mas o alvo principal destas pesquisas foi a malária. "É o maior problema da região e precisávamos dar prioridade a ele. Só em 1988 a doença havia assolado o estado com 250 mil vítimas", considera Erney. A partir de 1997, o Centro Avançado de Doenças Tropicais passou a contar com o Pronex como principal fonte de recursos. "Com o incentivo do Pronex foi possível montar um laboratório de primeiro mundo, semelhante ao que temos no campus de São Paulo", afirma Erney. "Atualmente atuamos em quatro municípios do estado: Porto Velho, Colina, Portochuelo e Montenegro, onde procuramos atender a população local. Para isso precisamos de transporte, remédios e equipamento". Desde o ano passado, no entanto, os recursos do Pronex vem sendo reduzidos. "Inicialmente recebemos R$ 600 mil. Em 1998, recebemos R$ 125 mil, e neste ano não sabemos com quanto contar". O Campus Avançado da USP trabalhava em conjunto com a Fundação Nacional de Saúde (FNS), que é responsável pelo diagnóstico primário de malária, febre amarela e outras doenças infecciosas na região amazônica. Mas este ano a FNS sofreu cortes drásticos inclusive no pagamento do pessoal, e "nossa situação é de incerteza". Com o corte no orçamento, o Centro Avançado de Doenças Tropicais terá que diminuir o atendimento e acompanhamento de pessoas infectadas pela malária. Para solucionar este problema, os coordenadores do projeto estão procurando recursos no exterior, sobretudo no Japão e na Inglaterra. "Para combater a malária na região amazônica, é fundamental este acompanhamento. Precisamos encontrar soluções pontuais para quebrar o ciclo de infecções, e para isso precisamos de médicos em atividade", comenta Erney. De acordo com o professor, a reitoria está interessada no projeto e a USP tem contribuído na área de recursos humanos. Algumas pesquisas tem sido feitas com recursos da Fapesp, mas para manter a infra-estrutura são necessárias outras fontes de renda. Dez anos após o início do projeto, a malária em Rondônia é bem menor. "A malária explosiva, que invadiu o estado no início da década, ocorreu justamente porque Rondônia era um pólo atrativo de migrantes, que não possuíam nenhuma defesa contra a doença, e por isso a epidemia alastrou-se. Hoje, que Rondônia já não recebe tantos migrantes, o problema está em Roraima. Mas não há porque expandirmos nosso campus avançado até lá, pois a malária explosiva já foi suficientemente estudada", conta Erney. No entanto, o professor considera fundamental o prosseguimento das pesquisas em Rondônia. "A malária foi sempre, em todos os tempos, um grande algoz da humanidade. Algumas epidemias, como a da peste do século XIV, podem ter tido maior dramaticidade pela agudez de sua ocorrência, mas nenhuma outra doença se compara à malária pela tenacidade e perenidade com que flagela a humanidade. Por isso não podemos ignorar a presença desta doença no Brasil. Devemos estudá-la e buscar soluções", afirma. Mais informações: (011): 818-7208 e-mail: erney@usp.br.