Notícia

Jornal da USP

Mais vagas na USP, Unesp e Unicamp

Publicado em 26 outubro 2008

Em cerimônia, governo do estado institui o Programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), que oferecerá ensino superior a distância para professores da rede pública de educação.

Esta é uma data histórica, que marca o início de uma nova etapa na evolução do ensino superior em nosso éstado. Com estas palavras, o governador José Serra assinou, no dia 9 de outubro, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, o decreto que instituiu oficialmente o Programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) no sistema de ensino superior paulista. O Univesp vai possibilitar a criação de 6,6 mil vagas de nível superior e 110 mil de pós-graduação em todo o estado de São Paulo. Para tanto, serão investidos R$ 152 milhões nos próximos quatro anos.

O programa é formado por um consórcio que reúne o governo do estado, através da Secretaria de Ensino Superior, as três universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp), a Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Centro Paula Souza e a Fundação para o Desenvolvimento Administrativo Paulista (Fundap).

O programa será desenvolvido com o uso das novas tecnologias de informação e comunicação, como a transmissão de programas-aula por um canal exclusivo de TV digital da TV Cultura, pela internet e também de forma presencial nos pólos avançados mantidos pelas universidades e demais instituições participantes.

Ao anunciar a criação do programa, Serra destacou que "as universidades vão caprichar, porque são as três melhores do país e não darão aula sem qualidade". E acrescentou: "Eu considero o Univesp uma das ações mais importantes deste governo, porque vai ajudar a melhorar a educação no estado de São Paulo".

Cerca de 150 pessoas, na maioria acadêmicos, diretores de departamentos, reitores, pró-reitores, secretários de estado e parlamentares, assistiram à cerimônia de assinatura do decreto de criação do Univesp. Sentaram-se à mesa, ao lado do governador Serra, além do secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades do Estado de São Paulo (Cruesp) e reitor da Unesp, professor Marcos Macari, o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, a reitora da USP, Suely Vilela, a secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães Castro, o presidente da Fapesp, Celso Lafer, e o presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun.

Como funciona

Os cursos serão gratuitos. Para isso, houve dotação orçamentária do estado da ordem de R$ 25 milhões por ano para o projeto. "Não estamos tirando verba das universidades", ressaltou José Serra. "Deveríamos fazer isso, porque é para o ensino superior público, mas não estamos. E é para mostrar a importância que esse programa tem para nós", esclareceu o governador.

O secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt, destacou que o programa é um instrumento de democratização do ensino superior ao permitir que o aluno tenha acesso ao conhecimento a qualquer hora e de qualquer lugar e também pelo fato de se submeter às normas e metodologias acadêmicas estabelecidas pelas universidades participantes. O secretário esclareceu que a previsão é criar, em 2009, 5 mil vagas no curso de graduação em Pedagogia para professores em exercício, a ser desenvolvido pela Unesp, 700 vagas em Licenciatura em Biologia e mais 900 vagas na Licenciatura em Ciências, ambas da USP, num total de 6,6 mil vagas.

Vogt observou que, simultaneamente, serão desenvolvidos cursos de especialização (pós-graduação) voltados a professores da rede estadual de ensino, da 5ª série ao ensino médio. A expectativa é de que 110 mil docentes ingressem em 16 cursos (13 de disciplinas e três de gestão).

Alguns cursos de especialização já estão sendo estudados para implantação, como Filosofia, Sociologia, Educação em Direitos Humanos, Ética e Saúde na Escola, Ciências, Espanhol, Gestão Escolar, Economia Ambiental, Vigilância Sanitária, Terapia Intensiva Integrada e Ações em Saúde.

O ingresso do aluno será feito por meio de um vestibular normal. Será publicado edital com informações sobre o processo seletivo. Ainda não há datas definidas, mas a expectativa é de que esses cursos já comecem a funcionar em março de 2009. Segundo Vogt, o sistema de cotas obedecerá às atuais políticas das universidades, "que já contemplam, de alguma forma, esse aspecto fundamental da participação dos jovens na busca do ingresso no ensino superior. O que vamos fazer é continuar a respeitar essas políticas".

Segundo Vogt, as atividades do programa serão implantadas em três diferentes módulos, a serem desenvolvidos a partir do primeiro semestre. O primeiro módulo tem como foco a capacitação de professores em exercício nas redes pública e privada. Nele está prevista a oferta de um curso de Licenciatura em Pedagogia e um curso de Licenciatura em Ciências, desenvolvidos a partir de experiências de sucesso realizadas na USP e Unesp. O principal objetivo desse primeiro módulo é promover a melhoria da educação no ensino infantil e no fundamental de primeira a quarta série.

O segundo módulo contempla a oferta de cursos de licenciatura como Matemática, Física, Química, Biologia e Língua Portuguesa. O início das atividades está previsto para o decorrer de 2009. E o terceiro módulo oferecerá cursos de capacitação, extensão, especialização e outras formas de educação para professores que já tenham curso superior completo e que desejam se aprimorar profissionalmente. O cronograma com as datas de inscrição para o vestibular, o período letivo e provas está sendo organizado e será divulgado após a deliberação do conselho das universidades.

O programa Univesp vem atender, segundo o governador José Serra, o Plano Nacional de Educação pela Lei Federal número 10.172, de 2001, que afirma ser preciso ampliar o conceito de educação a distância para poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação.