Pesquisa da CNI mostra que um dos setores' beneficiados é o de telecomunicações.
A indústria brasileira manteve gastos reduzidos com aquisição de novos equipamentos nos dois últimos anos. As empresas direcionaram em média 11,3% de sua receita operacional líquida em modernização tecnológica. Graças ao processo de privatização, os maiores investimentos (40,6% da receita) vêm ocorrendo em telecomunicações e os menores em construção civil (5%). A automação industrial não chegou a 52% das empresas no Brasil, mas o microcomputador já faz parte do dia-a-dia de 85% delas.
Essas informações sobre tecnologia constam da pesquisa "Modernização, Emprego e Capacitação Profissional", divulgada ontem pelo Senai e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A consulta foi realizada entre 1997 e 1998 junto a 516 empresas de 22 setores, que vão da indústria de transformação a serviços, como energia elétrica e saneamento. "As mudanças na indústria foram menores do que se esperava. A avanço tecnológico deveria ter sido maior", disse Fernando Bezerra, presidente da CNI e senador pelo PMDB-RN.
As empresas apresentam bons sinais na adoção de projetos de melhoria na produção. Apenas 5% dos entrevistados não implantaram nenhum programa qualidade ou de modernização tecnológica. Mas métodos sofisticados como reengenharia simultânea e Kamban continuam restritos. Os setores de material de transporte e calçados e couros são os que mais investem em gestão da produção.
O que surpreende na pesquisa, são os dados referentes à terceirização. Cerca de 90% dos empresários brasileiros entregaram alguma etapa de sua produção a outra empresa.
A Xerox do Brasil, é um exemplo de empresa que usou a terceirização, e mantém uma reorganização permanente, para otimizar os recursos existentes. Mas ao contrário do constatado na pesquisa, a empresa manteve seus postos de trabalho. "A filosofia da empresa é capacitar o empregado, para dar chance de ocupar nova função", diz Raissa Lumack, gerente de Educação e Treinamento.
Ela reconhece, porém, que em algumas circunstâncias a contratação de profissionais qualificados para nova tecnologia acontece. "É preciso verificar o custo e benefício da espera pela requalificação dos funcionários".
"Uma fábrica se moderniza com equipamentos num prazo de um ou dois anos. Mas o capital humano demora muito mais", ressalta Alexandre Rodrigues, diretor-geral do Senai.
A pesquisa aponta que 53% das empresas exigem o primeiro grau completo como requisito mínimo para a contratação.
As 516 empresas consultadas reduziram em média 12% dos postos de trabalho entre 1992 e 1997. Quem estará mais apto a sobreviver, serão os técnicos, 42% deles permaneceram nas mesmas funções. Os maiores cortes (51%) acontecem na área administrativa das empresas. O setor têxtil reduziu 77% dos postos em dois anos.
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Gazeta Mercantil