Notícia

Gazeta Mercantil

Mais incentivos para a inovação tecnológica

Publicado em 17 agosto 2001

Por Laura Knapp - de São Paulo
Enquanto não se definem e implementam propostas, discutidas ontem e hoje em seis capitais brasileiras, para alavancar o desenvolvimento científico e tecnológico no País, surgem programas práticos para estimular os investimentos no setor. No nível nacional, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciou a criação do Fórum da Inovação. A exemplo do projeto Inovar, que estimula os investimentos de capital de risco em empresas emergentes de base tecnológica, o Fórum da Inovação pretende investir no desenvolvimento tecnológico dessas empresas. "A idéia é estimular diretamente no berço, para que surjam novos empreendedores", afirma o presidente Mauro Marcondes Rodrigues. Já o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo lançará o SPTec, um fundo de capital de risco direcionado, como o da Finep, para empresas emergentes de base tecnológica, informa Fernando Leça. diretor-geral da entidade. O projeto já garantiu R$ 24 milhões em aporte financeiro. O braço de São Paulo vai contribuir com R$ 4 milhões, e o nacional, com a mesma quantia. O BNDESpar comprometeu-se a investir R$ 8 milhões, o Cisneros Group, R$ 4,8 milhões e outros investidores somam R$ 3,2 milhões. A administração do fundo ficará a cargo da Companhia Riograndense de Participações (CRP), gestora de dois fundos pioneiros nessa linha, o RSTec e o SCTec, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, respectivamente. O Sebrae talvez tenha de brigar com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) por causa do fundo. Não que os grandes empresários não concordem com investimentos de risco para pequenas empresas. A questão é que o Departamento de Tecnologia (Detec) da entidade previa lançar, também em outubro, um programa exatamente com a mesma denominação: SPTec. O objetivo do SPTec da Fiesp é estimular o uso de tecnologias pelas empresas, incentivando uma cooperação maior com universidades e institutos de pesquisa. "Queremos mudar a percepção no meio empresarial, alertando para a importância da inovação em produto, processo, gestão e design para o sucesso e a sobrevivência da empresa a longo prazo", diz o diretor titular do departamento. José Augusto Corrêa. '"É preciso massificar a informação sobre o conhecimento científico, tecnológico e de engenharia." Se isso não ocorrer, afirma, é provável que o empresário nacional tenha de ser colocado na categoria do mico-leão dourado: de espécie em extinção. A opinião quase unânime expressa ontem, durante o primeiro dia de discussões da Conferência Regional de Ciência. Tecnologia e Inovação de São Paulo, era que as empresas precisam realmente trazer a tecnologia para dentro de seus muros. Mas, para ser capaz de investir em inovações, precisam de incentivos fiscais e subsídios, a exemplo do que acontece em potências industriais como Estados Unidos, Alemanha e Japão. Ontem e hoje, reunidos em seis capitais, representando suas respectivas regiões, empresários, políticos e pesquisadores discutem propostas para a elaboração de uma política de longo prazo para o desenvolvimento científico e tecnológico do País. Os pontos levantados regionalmente serão debatidos durante a Conferência Nacional, que será realizada daqui a um mês, em Brasília. Os participantes da região Sul sugeriram a adoção de mecanismos mais eficientes para a transferência de conhecimento das instituições de pesquisa para o setor privado, para que a pesquisa seja aplicada e dê retorno econômico e social. Em Minas Gerais e no Rio, mostraram certa desconfiança quanto à eficácia de conferências desse tipo. Mas listaram como prioridade para a ciência, tecnologia e inovação reduzir a desigualdade social e econômica. Em Goiânia, discutiu-se a necessidade de haver uma agenda regional para orientar os investimentos no setor, a fim de diminuir a desigualdade em relação ao Sul e Sudeste do País. Trata-se basicamente dos mesmos pontos levantados pelos participantes de Maceió, que querem ampliar a produção de conhecimento na região. Em Belém, pregou-se a necessidade de uma participação maior do setor produtivo, que deve manifestar suas demandas tecnológicas, mas também financiar suas pesquisas. PROPOSTAS Principais pontos das sugestões indicadas nas Reuniões Regionais para Ciência e Tecnologia, promovidas pelo MICT Belém (PA, AC, AP, AM, RO, RR, TO): Identificar a demanda de tecnologia pelo setor privado e financiar a pesquisa MACEIÓ (AL, BA, CE, ES, MA, PB, PE, RN, SE): Descentralizar o conhecimento e a aplicação de recursos disponíveis, que se concentram no Sul e Sudeste. Criar fundos setoriais GOIÂNIA (DF, GO, MT, MS): Definir uma agenda regional para aplicação de recursos disponíveis, como forma de reduzir desigualdades SÃO PAULO (SP): Incentivar maior desenvolvimento da tecnologia no setor produtivo RIO DE JANEIRO (RJ, MG): Vencer a desconfiança do setor privado sobre êxito de ações desse tipo e criar otimismo em relação à estratégia de longo prazo FLORIANÓPOLIS (SC, PR, RS): Criar mecanismos mais eficazes para transferência de conhecimento, das instituições de pesquisa para o setor privado, visando mais rápido retorno econômico e social. Criar a Agência Nacional de Tecnologia