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Correio Popular

Mais espaço para o software livre

Publicado em 11 fevereiro 2007

Por Raquel Lima, DA AGÊNCIA ANHANGÜERA

A partir do ano que vem, cientistas brasileiros que atuam em projetos de software livre ganharão um terreno mais fértil para atividades de pesquisa e desenvolvimento na área. É que um Centro de Competência em Software Livre (CCSL) passará a funcionar no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), na Capital paulista. O CCSL permitirá dobrar a capacidade física e de recursos humanos disponíveis para as pesquisas teóricas e aplicadas no instituto. As obras terão início ainda este mês.

O espaço será composto de laboratórios que serão utilizados por alunos de graduação e pós-graduação em Ciência da Computação. O centro terá ainda um espaço de extensão voltado para a prestação de serviços à comunidade. O objetivo é que esse espaço tenha alunos de pós-graduação de plantão em horários fixos durante a semana, disponíveis para solucionar problemas do público em geral. Os usuários poderão tirar dúvidas que vão desde a instalação de um programa como o Linux em uma máquina até os caminhos para implementar software livre em uma empresa.

"Pesquisamos ferramentas de software livre há mais de dez anos na USP e o CCSL representa a necessidade de repassar esse conhecimento acumulado à sociedade, por meio de cursos e consultorias", afirmou Fábio Kon, professor do IME, que, ao lado do professor Siang Wun Song, coordena o projeto de construção do CCSL. "As aplicações de software livre no Brasil, em especial no setor empresarial, têm crescido muito nos últimos anos. O número de empresas nacionais de médio e grande porte que utilizam software livre em algumas de suas máquinas é cada vez maior", completou Kon.

De acordo com o professor do IME, apesar de os alunos ainda não disporem de um espaço físico exclusivo para o desenvolvimento de pesquisas em software livre, o instituto conta com dezenas de trabalhos acadêmicos relacionados ao tema em andamento. Somente o Departamento de Ciência da Computação do IME tem mais de 40 professores, sendo que a maioria desenvolve ou orienta pesquisas em diferentes áreas da computação e, normalmente, o produto final desses estudos é um software que reúne os conceitos investigados, de acordo com Kon.

Segundo o coordenador do projeto, atualmente os alunos trabalham de maneira dispersa em cinco laboratórios do Departamento de Ciência da Computação. Com o novo centro, o objetivo é permitir a realização de trabalhos conjuntos entre academia e empresas.

Bê-á-bá

Apesar do crescimento da utilização de software livre no País, muitas pessoas ainda têm dificuldade em compreender o que se trata essa ferramenta da informática.

Por isso, o Cenário XXI procurou o professor Ivan Granja, da Faculdade de Análises de Sistemas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), para "traduzir" esse que ainda é um assunto complicado para milhares de pessoas.

O que é? Softwares livres são aplicações de software, cuja principal característica é que as pessoas que os desenvolveram originalmente os tornam disponíveis, através de um modo de licenciamento específico, a outros usuários para que possam usá-lo gratuitamente, bem como modificá-lo e adaptá-lo às suas necessidades (ou seja, alterar o código fonte) deste software, desde que mantida a referência do desenvolvedor original.

"Há pessoas que confundem software livre com software freeware. O software livre tem as características descritas acima. Já os softwares freeware são 'livres' para uso (não é necessário pagar pela licença de uso). No entanto, o usuário não tem acesso para modificá-lo. São muito usados e populares, mesmo que não se possa modificá-lo, como o MSN e a Internet Explorer, etc.", explicou.

A quem serve? O software livre serve tanto para técnicos como para usuários normais. Porém apenas técnicos terão conhecimento suficiente para modificá-lo. Muita gente usa software livre apenas pelo software em si, não porque deseja modificá-lo. Alguns exemplos: Sistema operacional Linux, Open Office (alternativa ao Office da Microsoft ) e Gimp (alternativa livre ao photshop)

Vantagens e desvantagens: software livre não tem custo de instalação, pode ser adaptado e, por conta disso, evolui de maneira rápida quando há muitos desenvolvedores (técnicos) melhorando-o em esforço de comunidade. No entanto, este desenvolvimento não segue, necessariamente, as melhores práticas de engenharia de software (disciplina que trata dos métodos de desenvolvimento de software). Isso leva, muitas vezes, à perda de competitividade do software livre.

Dicas para quem quer usar: estudar as opções de software livre e ter uma boa dose de boa vontade para acostumar-se com um novo software, mesmo que os livres estejam cada vez mais próximos aos mais populares pagos.

Também se deve ter paciência com as falhas que ocorrerão na operação do software (isso ocorre também no Windows, é bom que se saliente). "Mantê-lo em uso com versões sempre atualizadas, para incorporar novas características e corrigir problemas detectados", disse o professor. (Com Agência Fapesp)

 

O NÚMERO

R$ 1,1 MILHÃO - É em quanto está orçada a construção do Centro de Competência em Software Livre, que contará com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da reitoria da USP