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Mais de 70% dos investimentos na produção de tecnologia são de SP

Publicado em 13 março 2002

Fapesp lança em março 'Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação ? 2001' Marília de Camargo Cesar escreve de SP para 'Valor Econômico': A concentração do conhecimento e da produção tecnológica no Estado de SP é maior, relativamente, do que a do setor industrial Enquanto a indústria paulista responde por 40% da produção nacional e o PIB do Estado equivale a 35% do total, o percentual da produção científica e das inovações tecnológicas brasileiras que saem das pranchetas dos pesquisadores nas Universidades ou empresas com sede em SP ultrapassa 50%. Se a medida forem os investimentos feitos em P&D, o peso sobe para mais de 70%. O perfil reforça a perspectiva de SP em termos de geração de renda futura. Essa é uma das principais conclusões do estudo 'Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação 2001', a ser lançado neste mês, em forma de livro, pela Fundação de Amparo à Pesquisa de SP (Fapesp). É o fruto do trabalho de 40 pesquisadores de diversas Universidades, entre elas a USP, Unesp, Federal de São Carlos, PUC/SP e Fundação Carlos Chagas. Foram coordenados por Francisco Romeu Landi, diretor presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, e por Ruy Quadros Carvalho e Sandra Brisolla, do Depto. de Política Científica e Tecnológica da Unicamp. O livro levou um ano e meio para ser concluído e é o segundo deste tipo feito pela fundação. O volume, de cerca de 200 páginas, será distribuído para o meio acadêmico e aos formuladores de políticas na área de ciência e tecnologia e poderá também ser consultado no site da Fapesp. Trata-se de vasto território de informações, com dezenas de tabelas e gráficos que visam, em última instância, a ajudar as empresas a tomar decisões de investimento. 'A área de C&T está ganhando densidade. Tudo indica que C&T é uma coisa do futuro que começa a ter uma âncora no presente', comenta Carvalho. 'As pessoas começam a perceber que o balanço de pagamentos é afetado pelos investimentos nessa área'. Se por um lado os dados comprovam a dianteira do Estado de SP em diversos aspectos como formação acadêmica - dois terços dos doutores do Brasil são formados em Universidade paulistas - e registro de patentes - metade sai daqui -, mostra que as empresas ainda resistem em tomar uma atitude mais arrojada no que se refere a inovação tecnológica. Do universo de 40 mil indústrias no Estado de SP, apenas um quarto são consideradas inovadoras, ou seja, lançam no mercado produtos ou marcas novas, e 2 mil, ou 5% delas, investem em P&D. A indústria absorve tecnologia, mas cria pouca tecnologia, observa o professor. A pesquisa aqui ainda é uma 'pesquisinha'. A pesquisa básica é feita na matriz?, avalia o economista Wilson Cano, do Instituto de Economia da Unicamp. Cético das novas políticas do governo federal para estimular investimentos em P&D, que classifica como frágeis, Cano afirma que com taxa de juros a 19% é melhor fazer salsichas. O risco é alto e, portanto, o investimento em pesquisa é baixo. Mesmo investindo pouco, SP aplicou ligeiramente mais que a média nacional em produção de conhecimento, 1% de seu PIB, comparado a 0,87% no Brasil, no período entre 95 e 98. A média dos gastos estaduais paulistas no mesmo período (US$ 2,5 bilhões) correspondia a cerca de 40% do total nacional em 99. A segunda grande conclusão do trabalho é que a produção científica teve durante a década um crescimento bem mais expressivo do que a produção tecnológica das empresas. Lendo de outra forma, significa que ainda há pouca relação entre o que se produz de conhecimento científico e o emprego de novas tecnologias que, em geral, são importadas?, observa Sandra Brisolla. Isso ocorre em toda a América Latina, afirma. O trabalho mostra que dois terços dos gastos nacionais com P&D são feitos pelo governo, dos quais 40% pelo governo federal e 22% pelo estadual. Na maioria dos países ricos, pelo menos 60% desses recursos vêm da iniciativa privada. Essa atitude conservadora das empresas, acrescenta Brisolla, faz com que a pesquisa seja condicionada a problemas regionais específicos, como estudo sobre os males das lavouras ou as doenças tropicais. É aquilo que, se não fizermos, ninguém fará por nós. A necessidade criou o vínculo entre produção científica e novas tecnologias, uma ponte ainda não construída em outras áreas. (Valor Econômico, 13/3) JC e-mail 1991