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A Crítica (MS) online

Mais da metade das vítimas de mortes violentas tinha álcool ou drogas no organismo, aponta USP (163 notícias)

Publicado em 27 de maio de 2026

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Estudo analisou mais de 3,5 mil casos em quatro capitais brasileiras entre 2022 e 2024

Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que 53% das vítimas de mortes violentas em quatro capitais brasileiras apresentavam álcool ou drogas no organismo no momento da morte.

A pesquisa analisou 3.577 casos registrados em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, entre 2022 e 2024. Os resultados foram publicados na revista científica Toxics.

Segundo os pesquisadores, o objetivo foi identificar a relação entre substâncias psicoativas e mortes causadas por homicídios, acidentes de trânsito e suicídios.

Entre as substâncias mais encontradas estão cocaína (30%), álcool (28%), benzodiazepínicos — medicamentos usados como calmantes e sedativos — (7%) e cannabis (2%).

O levantamento apontou que a cocaína apareceu principalmente em vítimas de homicídios, enquanto o álcool foi mais frequente nos casos de acidentes de trânsito. Já os benzodiazepínicos tiveram maior presença em registros de suicídio.

O estudo foi conduzido pelo grupo “Álcool, Drogas e Violência”, da Faculdade de Medicina da USP, com participação do pesquisador Henrique Silva Bombana.

Segundo Bombana, os dados ajudam a compreender como o uso de substâncias está inserido em contextos sociais e estruturais ligados à violência no Brasil.

O perfil das vítimas também chamou atenção. Cerca de 90% eram homens, 56% tinham mais de 30 anos e 67% morreram em homicídios. Em aproximadamente 85% dos assassinatos, as vítimas foram atingidas por armas de fogo.

Os pesquisadores destacam que o estudo não estabelece relação direta de causa e efeito entre o uso de drogas e as mortes violentas, mas aponta sinais importantes de risco e vulnerabilidade.

A pesquisa ainda identificou diferenças regionais. Recife apresentou maior prevalência de mortes associadas ao álcool, enquanto Belém e Vitória tiveram maior concentração de casos ligados ao uso de drogas ilícitas. Em Curitiba, o álcool apareceu com mais frequência do que drogas ilegais.

Para os autores, os resultados podem auxiliar na criação de políticas públicas mais específicas para cada região do país.