Notícia

Jornal GGN

Mais da metade das vítimas de mortes violentas no Brasil tinha álcool ou drogas no organismo (139 notícias)

Publicado em 25 de maio de 2026

Noticias de Contagem online Da Hora Bataguassu Giro Marília Portal Mariliense Portal Prudentino Acre ao Vivo Saense Jornal Integração Gazeta dos Municipios online Jornal Brasil em Folhas Jornal O Anhanguera online Farol da Bahia Tá no site Blog A Crítica Guia Limeira La Nación (Equador) online Blog do HP Jornal Impresso Brasil Guarulhos em Destaque MS em Foco Oeste 360 TV Interbam Zatum O Repórter Regional online J1 Notícias Jornal Tabloide online (Cotia, SP) Mustach Penha News TV Caparaó Panorâmica News O Correspondente Manchete Política RCWTV Chapada em alerta Jornal Online Alagoas Portal NA - Nécessaire Affaires Grupo Bom dia O Piauí Dipu - Diário Popular (São Paulo, SP) FocoNews Inteligência Brasil Imprensa A Notícia Digital Viva Pariquera Ceará em Pauta Cidade na Rede WebTV Paracatu Bom Dia Baixada Portal Mulher Amazônica Bom dia Sorocaba Sampi Portal do Viola News J6 LIVE Bom Dia Barretos Casa da Maria Mandú Notícias em Rede Capital Liberal TVC Brasil THMais É Destaque Brasília A Gazeta de Rondônia Digital Batatais 24h Rio Verde News Arena de Notícias A Página Regional Jornal do Interior THAP Notícias Gazeta Bahia Vamos adiante Diga Notícias Giro 1 online Jornal MG Todo dia Portal VV8 Portal Brasil News Jornal dos Municípios Portal de Notícias Estado Maior VotuMais (SP) AW TV News Bom Dia Guarulhos Conect Show Noticias Rádio Verona - 87,9 FM iMais Portal de Notícias Rádio Sama Mix Jornal da Raposo Rede Bom Dia São Paulo (São Paulo) Portal Super People VNS - Vi no Site Agreste Portal Rádio Mega Hits - 92.5 FM Gold Black FM Gold Black FM Alto Tietê News Agora Diário Notícias ON No Ponto do Fato RM7 Portal de notícias Brasília Acontece Marca Legal TMC Narciso News Notícias Na Mídia Los Legisladores Clic Regional www.agenciacidades.com.br recordnewsma.com jornalempautaitajobi.com.br Portal Uruaçu www.follownews.com.br elcentrodemexico.com

O perfil das vítimas é amplamente masculino, 90% eram homens, e 56% tinham 30 anos ou mais. Homicídios representaram 67% dos casos, seguidos por acidentes de trânsito (15%) e suicídios (9%)

Estudo da USP analisou 3.577 mortes violentas em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, com 53% das vítimas com psicoativos no organismo. Cocaína predominou em homicídios, álcool em mortes no trânsito e benzodiazepínicos em suicídios; 90% das vítimas eram homens. Recife teve mais casos ligados ao álcool; Vitória e Belém, a drogas ilegais; Curitiba destacou o álcool; política local é recomendada.

Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que 53% das vítimas de mortes violentas em quatro capitais brasileiras apresentavam substâncias psicoativas no organismo no momento do óbito. A pesquisa analisou 3.577 casos em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, representando as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, respectivamente, e foi publicada na revista científica Toxics.

“O objetivo foi produzir dados padronizados e comparáveis sobre o papel de substâncias psicoativas em mortes por causas externas no Brasil”, afirma Henrique Silva Bombana, biomédico toxicologista e pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (FCF-USP), primeiro autor do estudo.

As análises laboratoriais cobriram álcool, drogas ilícitas e medicamentos psicoativos, com protocolos padronizados para evitar distorções nos resultados. Um dos principais cuidados técnicos foi o armazenamento adequado das amostras. “Principalmente no caso do álcool, se a amostra não for armazenada de maneira adequada, a substância pode se degradar e mascarar o resultado”, explica o pesquisador.

As mais encontradas

Entre todas as vítimas, as substâncias detectadas com maior frequência foram cocaína (30%), álcool (28%), benzodiazepínicos (7%) e cannabis (2%). A distribuição, porém, variou conforme o tipo de morte: a cocaína predominou nos homicídios; o álcool, nas mortes no trânsito; e os benzodiazepínicos, nos suicídios.

O perfil das vítimas é amplamente masculino, 90% eram homens, e 56% tinham 30 anos ou mais. Homicídios representaram 67% dos casos, seguidos por acidentes de trânsito (15%) e suicídios (9%).

Contexto social

A ligação entre cocaína e homicídios é interpretada pelo pesquisador para além do uso individual da substância. “É possível atribuir a presença elevada de cocaína não apenas ao uso agudo da substância, mas ao contexto social e econômico em que opera o mercado ilegal, ao ambiente de tráfico, venda e compra que caracteriza o que chamamos de violência estrutural”, argumenta Bombana.

O pesquisador ressalta, contudo, que o estudo é transversal, capta uma fotografia da realidade em determinado momento e, por isso, não permite estabelecer relações de causa e efeito. “O que se pode afirmar, com segurança, é a existência de sinais consistentes de risco.”

A análise dos registros policiais nos casos de homicídio mostrou que cerca de 85% das mortes resultaram de ferimentos por arma de fogo, período em que o então governo federal havia afrouxado regras para compra, porte e controle de armas.

No caso dos suicídios, a prevalência de benzodiazepínicos levanta questões sobre automedicação e vulnerabilidade. Bombana sugere que o uso dessas substâncias pode funcionar como catalisador para a passagem da ideação ao ato suicida, mas sem estabelecer uma relação causal direta.

Diferenças regionais

O mapa das mortes não é uniforme. Recife apresentou maior prevalência de mortes associadas ao álcool; Vitória e Belém concentraram mais mortes ligadas a drogas ilegais; e Curitiba mostrou o álcool sobressaindo sobre as demais substâncias. Para Bombana, essa heterogeneidade deve orientar políticas públicas específicas para cada realidade local.

As quatro cidades foram escolhidas pelo cruzamento de dois critérios: taxas elevadas de mortalidade por causas externas e posição estratégica nas rotas do tráfico nacional e internacional de drogas. “Muitas vezes a droga vem de outros países e passa pelo Brasil para ser distribuída para os Estados Unidos, Europa, África” , observa o pesquisador.

Saúde pública

Sem se apresentar como especialista em políticas públicas, Bombana defende que o enfrentamento mais efetivo do problema passa por saúde pública e redução de danos, e não pela criminalização. Ele cita o exemplo de Portugal, que descriminalizou as drogas e registrou queda no número de usuários, pequenos delitos, homicídios e overdoses. “As diferenças entre Portugal e o Brasil são enormes, é claro. Ainda assim, o exemplo português sugere que uma política de redução de danos talvez seja o caminho mais interessante.”

O estudo foi conduzido pelo grupo “Álcool, Drogas e Violência” da Faculdade de Medicina da USP, sob coordenação de Bombana e da professora Vilma Leyton, com apoio da FAPESP por meio de bolsa de pós-doutorado. A coleta de dados ocorreu entre 2022 e meados de 2024, com equipes treinadas em cada uma das quatro cidades enviando amostras de sangue coletadas durante necrópsias ao laboratório central na USP.

*Com informações da Agência FAPESP.