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Mais da metade das vítimas de mortes violentas no Brasil havia consumido álcool ou drogas, aponta estudo da USP (163 notícias)

Publicado em 25 de maio de 2026

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Há uma estatística nova circulando pelos corredores das universidades, das delegacias e dos institutos médicos legais. Ela não tem o impacto visual de uma fotografia nem o choque imediato de uma manchete policial. É apenas um número. Mas alguns números contam histórias inteiras.

Segundo um estudo da Universidade de São Paulo (USP), divulgado pela Agência FAPESP, 53% das vítimas de mortes violentas no Brasil haviam consumido álcool ou alguma droga antes de morrer.

Mais da metade.

Pense nisso por um instante.

Imagine uma rua qualquer. Dez pessoas caminham por ela. Cinco dessas pessoas carregam consigo uma condição que altera a percepção, diminui reflexos, modifica decisões e aumenta impulsos. Não significa que serão criminosas. Não significa que provocarão acidentes. Não significa sequer que terão problemas. Mas significa que estarão mais vulneráveis.

E vulnerabilidade, às vezes, é tudo o que a tragédia precisa.

O estudo analisou 3.577 mortes registradas entre 2022 e 2024 em regiões metropolitanas de Belém, Recife, Vitória e Curitiba. Os exames toxicológicos revelaram a presença de substâncias psicoativas em mais da metade das vítimas. A cocaína apareceu em 29,6% dos casos. O álcool, companheiro antigo das estatísticas brasileiras, estava presente em 27,7%.

É um dado que convida à reflexão.

Porque o álcool continua sendo tratado como um personagem simpático da vida social. Está no churrasco de domingo, na comemoração do título do time, no encontro dos amigos e no happy hour da sexta-feira. Faz parte da cultura. E talvez justamente por isso seja tão difícil enxergar seu potencial destrutivo quando o consumo ultrapassa os limites.

Já as drogas ilícitas costumam aparecer nas notícias associadas ao tráfico e à violência. Mas raramente se discute o que acontece antes da manchete. A sucessão de pequenas escolhas. A sensação de invulnerabilidade. A falsa impressão de controle. A crença de que “comigo não vai acontecer”.

Até que acontece.

Os pesquisadores afirmam que os resultados evidenciam o peso do consumo de álcool e drogas na mortalidade precoce por causas externas. Em outras palavras: há uma conexão importante entre o uso dessas substâncias e situações que terminam em violência, acidentes ou mortes evitáveis.

E talvez o aspecto mais triste desse dado seja justamente a palavra “evitável”.

Porque muitas dessas mortes não estavam escritas no destino. Não eram inevitáveis. Não eram resultado de uma doença incurável ou de uma fatalidade impossível de prever. Eram mortes que, em muitos casos, surgiram de uma sequência de decisões tomadas em condições alteradas.

Uma discussão que escalou além do necessário. Um volante assumido por quem acreditava estar apto a dirigir. Um confronto que poderia ter sido evitado. Uma reação impulsiva. Um segundo de imprudência.

A violência brasileira tem muitas causas. Desigualdade, criminalidade, falta de oportunidades, conflitos sociais. Nenhum estudo sério resumiria tudo ao álcool ou às drogas. Mas ignorar o papel que essas substâncias desempenham seria fechar os olhos para uma parte importante do problema.

Mais da metade das vítimas carregava álcool ou drogas no organismo quando perdeu a vida.

É apenas uma estatística

Mas, por trás dela, existem milhares de nomes, famílias interrompidas, cadeiras vazias à mesa e histórias que terminaram antes da hora.

E talvez seja justamente isso que o número esteja tentando nos dizer. Não se trata apenas de substâncias encontradas em um exame toxicológico. Trata-se de vidas que poderiam ter seguido outro caminho.