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Mais Brasil no espaço

Publicado em 31 janeiro 2006

Por Thiago Romero, de São Paulo
São Paulo
Agência FAPESP

O Brasil precisa — e pode — saber muito mais sobre si mesmo.  Mas para conseguir fazer um monitoramento mais eficiente de seus recursos naturais — e depender menos dos dados obtidos por iniciativas de outros países — é preciso executar algumas metas, como criar novos sistemas espaciais de observação e cumprir as datas de lançamento dos próximos satélites CBERS, desenvolvidos em parceria com a China.
"O grande desafio é trabalhar em um programa espacial que atenda ao tamanho do Brasil.  Não basta apenas ter um programa de demonstração tecnológica", afirma Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Câmara conta que o programa de observação norte-americano Landsat, em operação desde a década de 1970, está com seus dias contados e será muito difícil a construção de equipamentos substitutos em pouco tempo. "Nesse caso, existe uma grande possibilidade de as imagens do CBERS-2 serem distribuídas aos Estados Unidos, que já mostraram interesse pela aquisição de imagens", disse.
No cargo há pouco mais de um mês, o pesquisador apresentou os principais objetivos da instituição para os próximos anos nesta segunda-feira (30/1), na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em São Paulo.
Para Câmara, a construção de novos satélites é um dos pontos que precisam ser incentivados.  "Eles dão retorno garantido ao país", aponta.  Diz também que o programa espacial precisa dar mais atenção às observações da Terra.  Para isso, será preciso produzir novos satélites, que gerem informações qualificadas aos cientistas.  "Apenas o CBERS não é suficiente", afirma.
O Brasil faz parte de uma iniciativa internacional nesse sentido. O recém-criado Grupo de Observação da Terra (GEO, na sigla em inglês), organização sem fins lucrativos, tem como objetivo desenvolver, nos próximos anos, o conjunto de sistemas de observação Global Earth Observation System of Systems (Geoss).
"Nesse contexto, o Brasil é reconhecido mundialmente por apresentar grande potencial no fornecimento de informações espaciais", diz Câmara.  "Porém, ainda é preciso ampliar nossa capacidade de medir o que está ocorrendo no planeta.  Precisamos de mais sistemas de observação e temos que aumentar a cooperação com outros países."
O diretor do Inpe apresentou também os prazos de lançamento dos novos satélites.  O próximo será o CBERS-2B, previsto para o final de 2006 e com operação estimada até 2009. O CBERS-3 deverá operar de 2009 até 2012, enquanto o CBERS-4 funcionará de 2011 a 2015. "Essas datas podem mudar, mas o importante é termos consciência de que estamos seguindo firmemente em um programa consistente de cooperação tecnológica com a China", destacou Câmara.
A maior preocupação atual é seguir o cronograma estabelecido com a China para que não haja interrupção no fornecimento de imagens que o Brasil utiliza com diferentes finalidades, entre elas a previsão do tempo, o monitoramento de unidades de conservação e o controle do desmatamento na Amazônia.
Câmara sinalizou também a possibilidade de oferecer o CBERS para os sistemas internacionais de observação da Terra, como o Geoss. "Já temos duas variáveis que nos favorecem: uma oportunidade internacional bem definida e um histórico de relativo sucesso", afirmou. "Para ter reconhecimento mundial, o Brasil precisa seguir corretamente as datas do CBERS. Nesse caso, credibilidade em satélites tem nome: cronograma."