Notícia

Jornal da USP

Mais álcool para o planeta

Publicado em 10 setembro 2007

Propostas para eliminar a resistência do mercado externo ao biocombusível serão discutidas durante a Conferência Nacional de Bioenergia, que a USP promoverá nos dias 26 a 28 de setembro

Propor estratégias para o Brasil vencer as resistências do mercado externo aos biocombustíveis será uma das tarefas da Conferência Nacional de Bioenergia (Bioconfe). O evento — promovido pela USP e pela Coordenadoria de Comunicação Social (CCS) — ocorrerá nos dias 26, 27 e 28 de setembro, no Maksoud Plaza Hotel, em São Paulo. Estarão presentes especialistas da Universidade, da iniciativa privada e do governo, entre eles o ex-ministro de Minas e Energia e ex-reitor da USP José Goldemberg, o diretor-científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, e o gerente executivo de Desenvolvimento Energético da Petrobras, Mozart Schmitt de Queiroz.

O avanço do Brasil no setor é uma das causas da "cautela" dos outros países em adotar os biocombustíveis, segundo o professor Guilherme Leite da Silva Dias, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, que coordenará um dos painéis de debates da Bioconfe. Ele destaca que o Brasil é o único país do mundo a usar em larga escala a nova tecnologia, com 40% da sua frota de automóveis capaz de ser movida a álcool. Isso contribui para despertar a desconfiança das demais nações, que temem investir numa novidade ainda não difundida amplamente. "Além do mais, há também o temor de uma dependência em relação ao Brasil."

Dias vê duas formas de reduzir a resistência dos países ao biocombustível. Uma delas é através da via diplomática, em que o governo pode incentivar o uso do produto em encontros de organismos internacionais. A outra maneira é por meio de parcerias como a que a Petrobras fez recentemente com a empresa japonesa Mitsui. Segundo esse acordo, a Mitsui introduzirá carros a álcool no mercado japonês, com garantias oferecidas pela estatal brasileira.

Há mais problemas a ser debatidos na conferência, lembra ainda o professor Guilherme Dias. Para ele, tendo em vista o atual estágio tecnológico e as demandas por comida no mundo, um cenário possível é o conflito entre as plantações de cana-de-açúcar para produção de álcool e as de alimentos. "O sistema global não está programado para isso. Não há infra-estrutura para dar conta das duas coisas ao mesmo temo", diz. "Temos que pensar em formas de resolver essa questão."

Conhecimento — "A nossa finalidade é utilizar o conhecimento que já temos na área e propor estratégias para o Brasil superar as dificuldades tecnológicas e aproveitar essa oportunidade histórica oferecida pela bioenergia", afirma o professor Wanderley Messias da Costa, coordenador da CCS e presidente da Bioconfe. Ele destaca que a conferência terá o mérito de reunir pesquisadores das mais diferentes áreas, todos ligados de alguma forma à questão da bioenergia. Essas áreas incluem a genética, a química, a engenharia, a agronomia e a economia, entre outras. "Isso nos permitirá abordar a bioenergia da forma mais abrangente possível, discutindo desde os avanços científicos e tecnológicos até os impactos positivos e negativos na sociedade e no ambiente."

A Conferência Nacional de Bioenergia terá seis painéis de debates. Eles abordarão os temas "Políticas públicas e inovação para o desenvolvimento da bioenergia", "Pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a produção da bioenergia", "Perspectivas de investimentos em bioenergia e seus impactos na economia brasileira", "Perspectivas de investimentos em bioenergia e seus impactos na economia brasileira", "Meio ambiente e bioenergia" e "Bioenergia e indústria automobilística no Brasil e no mundo". Haverá conferências sobre "O programa de bioenergia do Estado de São Paulo", proferida por Goldemberg, e "Cenários mundiais do biodiesel", dada pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel (Abiodiesel), Nivaldo Trama.

Realizado pela USP e CCS, a Bioconfe conta com o patrocínio da Petrobras e tem apoio de várias instituições acadêmicas, privadas e governamentais, entre elas a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, entre várias outras.

A Conferência Nacional de Bioenergia da USP será realizada nos dias 26, 27 e 28 de setembro no Maksoud Plaza Hotel (alameda Campinas, 150), em São Paulo. As pré-inscrições podem ser feitas via internet até 21 de setembro. Após essa data, somente nos dias e local do evento. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-4806 e na página eletrônica www.usp.br/bioconfe (e-mail: markccs@usp.br).