Notícia

Folha de Pernambuco

Maior produção científica

Publicado em 18 maio 2005

A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) divulgou a terceira versão dos seus Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo. As conclusões mostram - o que não surpreende - que o nosso país ainda está numa posição secundária face às nações desenvolvidas e algumas emergentes localizadas na Ásia, a exemplo da Coréia do Sul. Entretanto, a produção científica do Brasil atingiu o crescimento anual de 54%, tendo como causa principal mais investimentos em ciência e tecnologia, maior participação do setor privado e a expansão do ensino superior para atender a demanda ascendente pelo conhecimento. Como era de se prever, São Paulo é o Estado líder em ciência e tecnologia, devendo ser constatado que apesar de a produção de conhecimento ter melhorado, não houve uma correspondência em termos de inovação tecnológica. O trabalho da FAPESP chama atenção também para o fato de as empresas estarem mais interessadas em pesquisas, se bem que falte maior aproximação entre os setor universitário e privado. Frise-se que a trajetória do primeiro relaciona-se com a produção do conhecimento, cabendo ao segundo transformá-lo em inovação tecnológica, isto é, novos produtos e processos para o mercado. Por outro lado, convém mencionar que o registro de patentes nacionais nos Estados Unidos cresceu somente 0,07% do total de registros em 2001, percentual inferior aos da China, Índia e África do Sul. Os EUA continuam líderes em número de publicações científicas (1.566.326), seguidos do Japão (401.783), Alemanha (381.877), Inglaterra (363.375), França (270.432), Canadá (190.967). Destaque-se que a China registra 152.534 trabalhos publicados, mas com um aumento espetacular de 103,5%. O Brasil participa da produção científica mundial com 61.983, representando 1,3% e um crescimento respeitável de 47,3% muito próximo dos índices da Coréia do Sul, de 75.752, 1,6% e 54,5%, respectivamente, no período de 1998 a 2002. Alcançamos os 54% de crescimento anual, medidos pelo número de trabalhos científicos constantes de revistas específicas, enquanto o aumento médio da produção mundial foi de apenas 9%, o que revela  termos um longo caminho a percorrer, pois, apesar do salto de qualidade, fica implícito estarmos atrasados. No plano científico internacional nossa participação subiu de 1,1% em 1998 para 1,5%, em 2002. Podemos concluir afirmando que o resultado constatado é positivo, de que estamos no rumo certo, embora a distância que nos separa das economias desenvolvidas e emergentes ainda seja grande. Prosseguir nessa rota é uma questão de política de Estado sejam quem forem os governantes e responsáveis pelas áreas de ciência e tecnologia, para continuarmos avançando nessa área imprescindível, a fim de alcançarmos a condição de país desenvolvido.