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RCI Araraquara

Maior intelectual araraquarense é ilustre desconhecido na cidade

Publicado em 20 fevereiro 2021

Um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, Rubens Borba Alves de Moraes é reconhecido no mundo todo como um dos maiores nomes da biblioteconomia no século XX

Nascido em Araraquara em 23 de janeiro de 1899, o bibliófilo, bibliógrafo, bibliotecário, ensaísta, historiador e pesquisador Rubens Borba Alves de Moraes é reconhecido no mundo todo como um dos maiores nomes da biblioteconomia no século XX, mas ainda é um nome desconhecido em sua terra natal.

Borba de Moraes foi para Europa ainda menino, aos nove anos, estudando em Paris e Genebra. De volta ao Brasil em 1919, foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, mas acaba não participando do evento por estar doente nos dias da sua realização.

Colaborou ainda para a criação de algumas das revistas literárias mais expressivas do período: a Revista Klaxon, de 1922, e a Revista de Antropofagia, de 1928. Publicou, em 1924, seu primeiro livro de ensaios, Domingo dos Séculos. Fundou na capital paulista na década de 1930 um jornal opositor ao Partido Republicano Paulista, chamado “Diário Nacional” e lutou na Revolução de 1932.

Já em 1935, assumiu o cargo de diretor da atual Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade, permanecendo no cargo até 1943. Durante sua gestão, colocou em prática seu plano de estabelecer uma rede de bibliotecas na cidade de São Paulo.

Participou da fundação do Departamento de Cultura de São Paulo, atual Secretaria Municipal. Atuou como professor e organizou, em 1936, curso de biblioteconomia, que deu respaldo para organização e documentação do acervo do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Fundou, dois anos depois, a Associação Paulista de Bibliotecários. Em 1939, ganhou bolsa da Fundação Rockfeller e foi estudar biblioteconomia nos Estados Unidos, onde também fez estágios na área.

Em 1945, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, cargo que ocupou até 1947, exercendo uma administração de destaque no que diz respeito à organização e à metodologia da instituição.

Assumiu então o cargo de vice-diretor da Biblioteca da Organização das Nações Unidas – ONU, em Nova York, entre 1948 e 1949, quando foi nomeado diretor do Centro de Informações da ONU, indo para Paris, onde viveu até o ano de 1954. De volta a Nova York, retornou também à Biblioteca da ONU, agora como diretor, aposentando-se em 1959.

Entre 1963 e 1970, trabalhou como professor na Universidade de Brasília. Morreu em Bragança Paulista/SP em 2 de setembro de 1986, deixando seu vasto acervo de livros para a Biblioteca José Mindlin.

CONHEÇA ALGUMAS DAS PUBLICAÇÕES DE BORBA

Domingo dos séculos (Rio de Janeiro: Candeia Azul, 1924; São Paulo: Imprensa Oficial, 2010, edição fac-similar); ensaio;

Manual bibliográfico de estudos brasileiros (Rio de Janeiro: Editora Gráfica Souza, 1949; Brasília: Senado Federal, 1998, em 2. v.), em coautoria com William Berrien;

Bibliographia brasiliana (Amsterdam: Colibris, 1958, 2 v. em inglês; Los Angeles: UCLA Latin American Center Publications, 1983, 2 v. em inglês;

São Paulo: Edusp: Fapesp, 2010, em português, ISBN 978-85-314-1232-5); catálogo e compêndio de referência a bibliófilos, bibliotecários e estudiosos de livros raros sobre o Brasil;

O bibliófilo aprendiz (São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1965; 2. ed. revista com publicação aumentada pela mesma editora em 1975; 3. ed. pelas editoras Briquet de Lemos e Casa da Palavra em 1998; e 4. ed. pelas mesmas editoras em 2005; espécie de introdução à bibliofilia;

Livros e bibliotecas no Brasil colonial (Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1979; Brasília: Briquet de Lemos, 2006, 2. ed.);

Bibliografia da Imprensa Régia do Rio de Janeiro (São Paulo: Edusp: Kosmos, 1993, 2. v., editado postumamente).