A série “Ensaios clínicos no Butantan” traz um panorama sobre estudos clínicos e como o Instituto Butantan evoluiu nessa área, tornando-se um dos maiores desenvolvedores de vacinas da América Latina
Desde remédio para doenças respiratórias até vacinas contra pandemias, nos últimos 20 anos o Instituto Butantan já realizou mais de 30 ensaios clínicos – etapa primordial no desenvolvimento de produtos farmacêuticos para a saúde pública. Mas um deles tem lugar especial entre os demais: o projeto da vacina da dengue, ponto de virada da área e um dos maiores ensaios clínicos já conduzidos no país. Com mais de 16 mil voluntários, o estudo envolveu uma rede de 16 centros de pesquisa em 14 estados brasileiros. Foi essa infraestrutura e conhecimento que, anos depois, possibilitou ao Butantan responder rapidamente à Covid-19 com o ensaio clínico da CoronaVac e se preparar para futuras pandemias.
O pontapé inicial da vacina da dengue foi dado entre 2009 e 2010, quando o número de casos da doença triplicou no país. Com o objetivo de desenvolver uma vacina, ainda inexistente na época, o Butantan uniu esforços com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. A instituição norte-americana cedeu as cepas dos quatro sorotipos do vírus atenuados para que o Butantan formulasse o produto. Enquanto a fase 1 foi conduzida nos EUA, o Butantan foi responsável por realizar as fases 2 e 3 no Brasil – era necessário avaliar a segurança e a eficácia do imunizante em um país onde o vírus circulava.