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Farmacêutico Márcio Antoniassi

Magro com barriguinha também corre risco de doenças metabólicas e cardiovasculares

Publicado em 28 janeiro 2019

Gente que se considera em forma — o magro com uma barriguinha, que não vê problemas em sua condição — pode estar sob risco de doenças cardíacas e metabólicas por conta da gordura localizada no abdômen. O alerta é de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em trabalho publicado na revista “Scientific Reports”, eles estabelecem um novo padrão de avaliação de risco, baseado somente na relação entre a cintura e estatura.

Liderado por Vitor Valenti, professor da Unesp de Marília (SP), o estudo investigou homens de 18 a 30 anos que se consideravam fisicamente ativos, não tinham sobrepeso nem histórico de doenças metabólicas (como diabetes) ou cardiovasculares. Os cientistas viram que aqueles com um índice de relação cintura-estatura mais alto tinham menor capacidade de recuperação pós-esforço e uma resposta mais lenta dos mecanismos do sistema nervoso autônomo associados a doenças cardiovasculares.

Já se sabia que pessoas com excesso de gordura no abdômen apresentavam risco aumentado de doenças cardiovasculares. A novidade do estudo foi dissociar esse acúmulo abdominal do sobrepeso e mostrar que a relação entre a medida da cintura e a altura de um indivíduo constitui por si só um indicador de risco.

A medida da cintura é tomada na altura da última costela. E o cálculo é feito pela divisão da circunferência da cintura pela altura da pessoa. Até agora, se considerava saudável uma pessoa com resultados de até 0,5. O estudo indicou que resultados de 0,45 a 0,5 são arriscados, diz Valenti. O grupo da Unesp analisou 52 homens com índice de massa corporal (IMC) entre 20 e 25, isto é, dentro da faixa de normalidade. Todos diziam fazer atividade física com regularidade, porém, sem intensidade — por exemplo, um jogo de futebol no fim de semana.

— Para quem tem gordura localizada na barriga e não faz exercício com regularidade, jogar de futebol só no fim de semana pode ser perigoso porque o corpo não tem boa capacidade para responder ao esforço súbito e excessivo — alerta Valenti, cujo estudo foi realizado em parceria com cientistas da Oxford Brookes University, na Inglaterra, num projeto apoiado pela Fapesp.

Segundo ele, a relação cintura-estatura é mais sensível do que o IMC porque este é muito geral. A gordura localizada no abdômen é considerada a pior de todos os tipos de adiposidade porque se acumula à volta dos órgãos e tem atividade metabólica. Ela libera ácidos graxos nas vísceras e danifica as células. Está associada ao câncer, a doenças metabólicas e cardiovasculares, além de demências.

Fonte: O Globo