Notícia

Hora do Povo online

Magnamed: conheça a história da fabricante nacional de respiradores

Publicado em 09 maio 2020

Por Hora do Povo

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19), com um rápido crescimento dos casos em todo o planeta, colocou uma necessidade diante de todos. Aos poucos, muitos países se viram em dificuldades, com faltas de equipamentos especializados para o tratamento das consequências geradas pela doença no corpo humano.

Um equipamento essencial, o ventilador pulmonar, é utilizado para os pacientes mais graves, atingidos pela Covid-19.

A empresa brasileira Magnamed desenvolveu um respirador artificial com tecnologia nacional e vem, cada vez mais, contribuindo para o salvamento de milhares de famílias.

Sediada no estado de São Paulo, a Magnamed é a empresa especializada em ventilação pulmonar que mais cresce no Brasil, com uma produção fundamental nesses momentos de crise, os ventiladores para as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ou Transporte e Emergência.

A empresa foi fundada em 2005 por três engenheiros e se destaca no desenvolvimento de equipamentos médicos hospitalares de alta tecnologia, eficiência e qualidade, que ajudam a preservar vidas, contribuindo para o aumento da disponibilidade de leitos e para a redução das mortes em transporte ambulatorial.

Seus equipamentos foram desenvolvidos para atender a necessidade de hospitais de países emergentes, unindo tecnologia e usabilidade, favorecendo o funcionamento em um contexto de poucos recursos, como o encontrado no sistema público de saúde brasileiro.

No início de abril, a empresa assinou um contrato com o Ministério da Saúde para fornecer 6,5 mil ventiladores pulmonares até agosto de 2020. O acordo visa atender ao aumento da demanda dos hospitais no país pelo equipamento.

Os engenheiros brasileiros Wataru Ueda, Tatsuo Suzuki e Toru Miyagi fundaram a Magnamed em 2005.

“Desde que criamos a empresa em 2005, tínhamos a ideia de construir algo simples, com custo reduzido e que poderia atender qualquer tipo de paciente. Com a nossa tecnologia desenvolvida, conseguimos desenvolver um bom aparelho, de baixo custo, para o sistema de saúde brasileiro e dos países emergentes, que necessitam dessas tecnologias. Nós somos engenheiros, estudamos em escolas e faculdades públicas, nosso sonho e missão é construir tecnologia a favor do desenvolvimento do Brasil e do mundo, salvando vidas”, diz Wataru Ueda.

Em entrevista à Hora do Povo, Ueda disse que a empresa está “dedicada a contribuir com sua expertise para o enfrentamento de tão grave situação que atinge a todos”.

“A empresa e seus parceiros estão trabalhando para reduzir a dependência de componentes de insumos importados, uma vez que a demanda por insumos cresceu consideravelmente por conta da pandemia do Covid-19”, continuou.

A produção, que era de cerca de 1.800 respiradores por ano, foi aumentada em 10 vezes, com ajuda de outras empresas, para poder atender a alta demanda por respiradores causada por conta da crise do coronavírus.

TECNOLOGIA QUE SALVA VIDAS

Para o médico socorrista Weder Bernal, os equipamentos da Magnamed melhoraram o pronto atendimento das ambulâncias, aumentando sua efetividade no salvamento de vidas com os respiradores “Transportamos pacientes nas ambulâncias, seja para realizar exames ou para transferências entre hospitais, muitas das vezes, chegávamos em hospitais e logo, as notícias eram péssimas, pois o hospital já falava que o paciente não tinha condição, que o respirador não suportava e o paciente ficava no local. Agora com os respiradores da Magnamed, com todas as modalidades sendo adulto, pediátrico ou neonatal, as coisas ficaram melhores, com os equipamentos mais funcionais e fáceis de mexer, 90% dos nossos problemas acabaram, vidas estão sendo salvas, uma satisfação”.

“A Magnamed ilustra os benefícios para a sociedade de se ter em São Paulo o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade de São Paulo (USP), o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (CIETEC) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Formar engenheiros nos melhores referenciais mundiais dá retorno social, apoiar pesquisa excelente dá retorno social, e estimular pequenas empresas de base tecnológica dá retorno social. O estoque de capacitação tecnológica no Estado de São Paulo está se mobilizando de forma exemplar para contribuir no enfrentamento da crise pandêmica”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

IMPORTÂNCIA

Os equipamentos fabricados são essenciais para garantir a sobrevivência de pacientes com quadros severos da Covid-19. Quando o paciente está com insuficiência respiratória por causa da doença, a troca gasosa nos pulmões fica comprometida. O aparelho chamado controla a pressão do ar para dentro de nossos pulmões, para que a troca gasosa se mantenha.

Para o paciente não ficar desconfortável, ele é sedado. O ventilador, em geral, é colocado na boca, e o tubo irá até a traqueia. Pelo ventilador, os profissionais de saúde podem escolher a porcentagem de oxigênio no ar fornecido ao paciente – índices maiores que o atmosférico, de 21%. Quanto mais comprometidos estiverem os alvéolos (aqueles saquinhos de ar do pulmão), mais oxigênio será necessário.

É importante entender que o aparelho não é um tratamento. Ele apenas poupa o organismo do esforço de respirar, até que o sistema imunológico reaja e combata o vírus, no caso da Covid-19.

No caso da Covid-19, os casos mais severos já registrados indicam que a recuperação é mais lenta que em outras doenças respiratórias. O paciente pode ficar cerca de duas semanas na UTI, com a ventilação mecânica.

Abaixo, publicamos reportagem produzida pela Endeavor Brasil, uma organização de apoio ao empreendedorismo, em parceria com o SEBRAE sobre a história da empresa e de seus sócios. Desde o período de incubação na FAPESP, até a instalação da planta de mais de 3 mil metros quadrados em Cotia, na região metropolitana de São Paulo.

“Você não pode ser simplesmente alguém que nasceu, trabalhou e morreu. Tem que deixar alguma coisa”

Publicado em: 31 de agosto, 2016 | Atualizado em: 23 de junho, 2017

Toru Kinjo, Tatsuo Suzuki e Wataru Ueda, fundadores da Magnamed – Foto: Claudio Cammarota/Magnamed/Divulgação

Conheça a história de Tatsuo Suzuki, Wataru Ueda e Toru Kinjo, empreendedores da Magnamed.

Muitos sonhos embarcaram junto com as famílias japonesas nos navios que as trouxeram para o Brasil. Talvez nenhum deles imaginasse que seus descendentes criariam um produto que cruzaria de novo os mesmos mares, salvando milhões de vidas mundo afora.

Filhos e netos de imigrantes japoneses, os amigos Wataru Ueda, Tatsuo Suzuki e Toru Kinjo seguiram um dos fundamentos da cultura do seu povo, que valoriza a educação como base para tudo, e se formaram engenheiros apesar de todas as dificuldades enfrentadas. Também motivados por devolver algo valioso ao país que os acolheu e onde puderam estudar e se formar, eles resolveram investir tempo, conhecimento e recursos para criar uma empresa de ponta no setor de equipamentos médicos, a Magnamed.

Como imigrantes da própria carreira, deixaram uma vida profissional estável e bem resolvida, se aventuraram no mundo do empreendedorismo para começar tudo de novo e acabaram realizando um verdadeiro salto para o futuro.

Da lavoura para o ITA

Tatsuo Suzuki cresceu nas lavouras do interior paulista. Trabalhou muitos dias de sol a sol e só aprendeu a falar português aos oito anos. Sempre quis ser médico, inspirado pelo avô, que veio para o Brasil quando estava quase se formando em medicina. Não conseguiu completar o curso, mas trouxe os conhecimentos adquiridos e atendia os imigrantes da colônia japonesa: “ele tinha uns cadernos onde anotava o nome dos remédios em japonês e em português para ajudar os pacientes. Recebia pagamento em porco, cabrito, mas às vezes nem cobrava”. Ele sempre falava para o neto: “você vai ser médico”.

Quando Tatsuo tinha 14 anos, sua mãe, que sempre incentivou os estudos, mostrou ao filho um artigo em um jornal japonês editado no Brasil sobre um médico filho de imigrantes que inventou um respirador. A partir desse dia, ele decidiu fazer o mesmo. Mas cursar medicina e ser inventor de aparelhos médicos não tinha muita lógica, né? Melhor era virar engenheiro.

Ainda adolescente, depois de trabalhar como lavrador, pedreiro, marceneiro e saiu do campo para estudar em São Paulo, onde trabalhou como relojoeiro enquanto fazia o cursinho. Entrou no ITA e, depois de se formar em engenharia mecânica, fez um curso de engenharia biomédica e mestrado no COPPE, no Rio de Janeiro.

A minha mãe sempre falava: “Você não pode ser simplesmente alguém que nasceu, trabalhou e morreu. Tem que deixar alguma coisa”.

Tatsuo fez sua tese de mestrado no Incor, onde ficou dez anos e saiu como diretor de bioengenharia para trabalhar em uma fundação que desenvolve equipamentos médicos para cardiologia. Foi quando o destino trouxe de volta uma feliz coincidência e ele foi convidado para trabalhar justamente na empresa do médico inventor. Sim, aquele cuja notícia, mostrada pela sua mãe, inspirou toda a sua carreira.

Nos quinze anos que trabalhou lá, desenvolveu inovações importantes juntamente com Wataru e Toru e todos se tornaram amigos. Mas o dono da empresa limitava as melhorias e, com muitas ideias que não podiam executar, um propósito na vida e muita experiência acumulada, eles resolveram sair e se uniram para criar a Magnamed.

“Estudamos em escola pública, fizemos o ITA e temos que fazer alguma coisa para retribuir para o país que ajudou a gente a se formar”. A grande sacada foi perceber o quanto os funcionários sofriam para montar os equipamentos. Por que não agilizar as coisas e ainda fazer um bem para a sociedade?

Sempre alerta

Na escola japonesa Shohaku Gakkuen, onde Wataru Ueda estudou desde os cinco anos, o principal objetivo, além de ensinar o japonês, era a formação do caráter. Foi onde ele desenvolveu o senso de equipe e moldou o espírito de liderança com experiências muito positivas, que o ajudaram a se tornar empreendedor. Os alunos tinham que organizar os jogos e a premiação do evento esportivo japonês Undokai e ele cresceu nesse meio, em que a professora os incentivava a organizar desde as competições até bazares e festas de formatura, sem esperar que a escola fizesse tudo.

Wataru cresceu observando o pai e seu espírito empreendedor com um pequeno negócio de assistência técnica. Desde cedo reconheceu quanto o esforço da família o proporcionou um estudo de qualidade e experiências que o desenvolveram seu perfil de liderança:

“Embora meu pai nunca tivesse falado, eu via através do exemplo que ele dava que ele sempre quis que eu fosse empreendedor”.

Aos 14 anos, Wataru foi para o Japão, em um programa de intercâmbio da escola brasileira com outra escola em Obitsu, na província de Chiba. Uma experiência marcante que permitiu conhecer uma cultura nova, jeito de pensar diferente. De uma certa forma, o ajudou a olhar o mundo como sendo a casa de todos, em vez de um globo dividido por países.

O mesmo aprendeu como escoteiro. Participou de Jamboree (acampamentos nacionais e internacionais periódicos) na Noruega e pôde conhecer também outros países como a Itália, Alemanha, Holanda e Suécia: “isso também contribuiu para que eu tivesse essa visão de internacionalização e fizesse as coisas para o mundo e não só para o Brasil”.

Formado em engenharia pelo ITA, Wataru foi para o Itautec, onde participou da criação dos primeiros PCs no país. Fez ainda um estágio no Japão, que já era uma grande vitrine da tecnologia, e assumiu um cargo de direção na Takaoka, que era líder em fabricação de equipamentos para anestesia no Brasil e na época enfrentava os desafios da abertura de mercado.

“Tive uma carreira rápida, sempre empreendendo dentro das empresas, para que elas pudessem crescer rapidamente. Mas sempre com aquela vontade de fazer algo próprio”. Foi quando, na Takaoka, Wataru entrou na equipe de Tatsuo.

Seis meses na garagem da mãe

Wataru conta que foi Tatsuo quem ensinou o que eram os equipamentos e o mercado de aparelhos médicos, porque ele sempre trabalhou nessa área: “logo que eu entrei na Takaoka, pensei que esse seria o cara para conversar, trocar ideias, inovar”.

Já Tatsuo elogia a inteligência do amigo e conta que sempre pensou em empreender mas “foi Wataru quem fortaleceu essa idéia”.

Quando decidiram seguir novos caminhos, planejaram o negócio e pensaram em como dar suporte para a família, como seria a situação financeira. Não poderiam simplesmente abandonar o emprego, sem antes traçar as metas para construir a nova empresa.

Do momento em que os sócios começaram a conversar até dar o passo para pedir demissão, demoraram seis meses. Depois, na luta até empacotar o primeiro produto, foram três anos.

“No começo, a gente não tinha um lugar para ficar. Não dava para começarmos com o Tatsuo na casa dele e eu na minha casa. Minha mãe morava sozinha, eu sabia que tinha um espaço na casa dela e fomos para a garagem. A gente ainda estava pequenininho em 2005, mas já com o objetivo de construir algo importante na área da saúde”.

Os sócios sabiam que era importante construir um sistema de gestão da qualidade sólido e convidaram o amigo Toru Kinjo para atuar na área eletrônica.

Empreender na maturidade

Deixar um emprego estável, com uma carreira de sucesso e começar de novo requer mais que coragem. O empreendedor precisa se preparar e ter o apoio da família.

Wataru teve todo o suporte da esposa e reconhece que, sem ela, não seria possível. Por algum tempo, ela praticamente sustentou a família com seu salário: “numa fase madura, realmente a parte financeira preocupa bastante. Ela teve que ser muito forte, porque não é fácil iniciar – a despesa é alta, o investimento é alto -, mas a gente já tinha preparado um bom pé de meia para essa aventura”. Ele também se preparou para ter seu próprio negócio com cursos de gestão empresarial.

Já para Tatsuo, não seria a primeira vez. Quando era estudante, montou um pequeno negócio que não deu certo. Tirou como lição dessa experiência a importância de se planejar e juntar um dinheiro antes de começar. A família também ajudou e seu filho já estava formado:

“esperei esse momento para poder arriscar porque já não tinha muita gente dependendo de mim”.

Os sócios sabiam que investir na área da saúde exige muitos recursos, dedicação e conhecimento das exigências regulatórias, mas uma vantagem era certa: a bagagem da experiência profissional de muitos anos. Para Wataru, a maturidade cai bem nesse setor: “não dá para simplesmente dizer ‘hoje eu vou fazer um equipamento para a área da saúde’. É muito conhecimento prévio para adquirir antes de encarar um desafio desses”.

Da incubadora para o mundo

Em 2005, quando Wataru e Tatsuo saíram para criar a Magnamed, já tinham a ideia de fazer um aparelho com mais qualidade e mais fácil de montar. Começaram pelos ventiladores pulmonares, que oferecem suporte mecânico ao sistema respiratório.

Acabaram criando uma plataforma tecnológica nova, num bloco único. Eles desenvolveram um equipamento mais compacto, mais seguro, com custo menor de produção e, justamente por isso, conseguiram fabricar um equipamento mais confiável e com preço mais baixo.

Depois de passar seis meses na garagem, a empresa começou a desenvolver o projeto no CIETEC, incubadora da USP. No início, os sócios aportaram os recursos financeiros na empresa. Só depois conseguiram atrair recursos dos fundos da FAPESP, FINEP, CNPQ e FIATEC. O dinheiro para inovação foi essencial no desenvolvimento da empresa e o resultado do investimento precisou ser comprovado, mas com a vantagem de virem a fundo perdido.

Saíram da incubadora para um galpão alugado, para obter o aval da ANVISA e fabricar o produto que estavam desenvolvendo, mas só depois de dois anos conseguiram certificar a fábrica. O passo seguinte seria aprovar o novo produto na ANVISA, em outro processo demorado. Mas eles conseguiram o registro da Comunidade Européia antes e a saída foi começar o negócio já exportando – o que não foi problema, já que o produto foi desenvolvido para competir com o mundo. Ganharam uma concorrência grande na África do Sul e venderam mais de 200 ventiladores de transporte.

Como começaram buscando o mundo, logo ganharam um aval dentro do mercado interno. Wataru explica essa conquista estratégica: “muito do medo de ir para fora é porque a pessoa não conhece o mundo. Quando logo novinho eu comecei a andar pelo mundo, vi que aqui é igual a tudo quanto é lugar”.

Fermentando as fatias do bolo

Quando estavam praticamente encerrando o período na incubadora e tinham que montar a fábrica para obter o aval ANVISA, os sócios já estavam há dois anos sem rendimento nenhum e precisavam investir por mais dois anos até obter a certificação. Nesse período, ainda teriam que pagar os salários e os recursos dos fundos de incentivo não cobriam todos os custos.

Tatsuo lembra que tinham que manter a empresa operacional sem receita e sem quebrar totalmente: “chegamos a uma situação bastante difícil, de não ter nem perto do suficiente”. Resolveram recorrer aos fundos de investimento:

“Às vezes a gente acha que dividir é ruim, mas pensamos: é melhor ter 100% de um bolinho pequenininho ou um pedaço de um bolo grandão?”

Da garagem para a incubadora com 50 m² da USP, a Magnamed hoje tem uma fábrica de 3.000 m² com potencial para expandir sua produção até 2019. O futuro é promissor: a previsão de crescimento é de pelo menos 50% ao ano, chegando em 2018 faturando cerca de R$ 150 milhões – dez vezes o que faturou em 2014. Dentro de dois anos, provavelmente terão que a procurar outro local para instalar uma fábrica maior.

Com 100 funcionários e mais de 2.000 unidades vendidas, as exportações representam um terço do faturamento e os produtos da Magnamed estão em mais de 40 países do Oriente Médio, Ásia e América Latina.

Confirmando a expectativa inicial dos sócios, a empresa continua sendo referência de inovação na área de equipamentos médicos. Wataru e Tatsuo compartilham o sonho grande de perenizar a Magnamed como uma indústria brasileira de impacto mundial: “queremos ser a Embraer dos equipamentos médicos, continuar produzindo alta tecnologia médica aqui no Brasil e preservar o máximo de vidas possível, como o primeiro ventilador que fizemos, que ajuda a preservar 1 milhão de vidas por ano”.

E ele mesmo se assusta com o número de vidas salvas: “Caramba é tudo isso mesmo?”