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Mães e filhos em melhores condições

Publicado em 04 julho 2008

Melhoria nas condições de vida para mulheres e crianças foi a principal conclusão da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), iniciada em 2006 e cujos resultados foram divulgados nesta quinta-feira (3/7) pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o trabalho, políticas sociais implementadas no país nos últimos dez anos permitiram que mulheres e crianças passassem a ter maior acesso aos serviços de saúde, assistência médico-hospitalar, medicamentos e métodos contraceptivos

Segundo o ministério, a redução em mais de 50% da desnutrição das crianças menores de 5 anos, de 1996 a 2006, somada a medidas educativas de hidratação oral e higiene contribuíram para uma queda de 44% na mortalidade infantil.

Houve avanço também no meio rural, em que 97% das mulheres tiveram acesso a pelo menos uma consulta pré-natal durante a gravidez em 2006, contra um percentual de 68% em 1996. No período, as políticas de planejamento familiar contribuíram para reduzir de 2,5 filhos por mulher em 1996 para 1,8 em 2006.

A PNDS foi realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com orientação do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e envolveu 15 mil mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) e 5 mil crianças com até 5 anos.

A distribuição gratuita de métodos contraceptivos aumentou 200% em dez anos, contribuindo para a redução do número de esterilizações femininas e masculinas. O número de cirurgias de esterilização em mulheres caiu de 27,3%, em 1996, para 21,8% em 2006, enquanto a participação dos homens na anticoncepção, por meio da esterilização, dobrou nesses dez anos, passando de 1,6% para 3,4%.

Um dos grandes avanços evidenciados pela PNDS-2006 foi o acesso de mulheres que vivem no meio rural ao pré-natal e ao acompanhamento na gestação. Em 1996, 31,9% dessas mulheres grávidas não se submetiam a nenhuma consulta pré-natal. Em 2006, esse número caiu para 3,6%. No meio urbano, a redução foi de 8,6% para 0,8% de mulheres sem nenhuma consulta.

Também houve um salto importante no percentual de mulheres que passaram a realizar a primeira consulta pré-natal nos três primeiros meses de gestação. O percentual saltou de 66% para 82,5% das gestantes. Na região Nordeste, o aumento na realização de consultas pré-natal pelas mulheres foi o mais expressivo: mais de 97% das mulheres em 2006, contra 74% em 1996.

Em 76% das gestações de 2006, o parto foi realizado no SUS. Nesses dez anos, houve grande redução no número de partos domiciliares no meio rural, passando de 19,8% para 3,5%. Ao mesmo tempo, a assistência do médico durante o parto subiu de 77,6% para 88,7% no país. Somente no meio rural, a presença do médico passou de 57,7%, em 1996, para 82,6%, em 2006.

O aumento na realização de cesarianas, de 36,4% para 44% dos partos, confirma o avanço desse procedimento em todo o país, contra as recomendações do Ministério da Saúde. Nas regiões Sudeste e Sul estão as maiores taxas apuradas em 2006: 52% e 51%, respectivamente. No sistema de saúde privado ou suplementar, esse percentual alcançou 81% em 2006.

A pesquisa investigou também a prevalência em mulheres férteis de enfermidades como hipertensão (11,8%), diabetes (1,7%), bronquite/asma (7,8%), depressão/ansiedade/insônia (16,1%), anemia (26,6%), artrite/reumatismo (5,2%) e vaginite/vulvo-vaginite (23,7%) e o acesso a medicamentos para o tratamento.

Na avaliação do estado nutricional das mulheres, apenas 3,5% apresentaram déficit de peso. Por outro lado, o excesso de peso e a obesidade cresceram entre as mulheres brasileiras. Em 1996, 34,2% delas tinham excesso de peso. Dez anos depois, esse percentual foi elevado para 43%, resultando num aumento de 25% no período.

Entre as principais ações que contribuíram para a redução da mortalidade nos dez anos pesquisados, o estudo aponta o crescente uso e divulgação da terapia de reidratação oral, o aumento da prática de aleitamento materno, a suplementação alimentar, o incremento da educação da mulher, a intensificação dos programas de imunização contra o sarampo e as melhorias no saneamento em geral.

Entre os resultados mais expressivos está a queda da mortalidade por causas infecciosas e parasitárias, incluindo as associadas à diarréia. Em 1996, 13,1% das mães afirmaram que seus filhos haviam tido algum episódio de diarréia nas duas semanas que antecederam a pesquisa. Em 2006, o número caiu para 9,4%.

Garantir a amamentação de crianças como alimento exclusivo até os 6 meses de vida ainda é um desafio no Brasil. Apesar de 96,4% de todas as mães afirmarem que as crianças foram ao menos uma vez amamentadas, a exclusividade desse alimento em bebês com até 6 meses de vida alcança 40% das crianças.

A média, em meses, de duração da amamentação associada a outros alimentos, para crianças com até 3 anos de idade, aumentou de sete meses em 1996 para 9,3 meses em 2006. A duração da alimentação exclusiva com leite materno subiu de um mês para 2,2 meses.

A pesquisa revela queda nas variáveis da desnutrição de crianças até 5 anos. Nessa faixa etária, o déficit de peso versus altura caiu de 2,5% para 2%, e o de peso versus idade, de 5,7% para 1,7%. O déficit de altura versus idade teve redução de 13% para 7% entre 1996 e 2006. A PNDS apontou a existência de excesso de peso para a altura em 6,6% das crianças com menos de 5 anos.

A pesquisa teve apoio do Núcleo de Estudos de População e do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas e do Núcleo de Pesquisas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública e do Laboratório de Nutrição do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, os dois últimos da Universidade de São Paulo (USP).

Mais informações: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/pnds/index.php

Agência Fapesp