Notícia

O Estado do Paraná

Macacos aprendem com o que vêem

Publicado em 19 fevereiro 2006

Agência FAPESP
Ao sentir uma baforada de ar com cheiro bastante desagradável, após visualizar uma imagem abstrata qualquer, os macacos rhesus fecharam os olhos, em clara repulsa ao odor ruim. Quando um líquido de sabor agradável foi oferecido aos animais, após a exibição de outra imagem, deu lugar a uma expressão facial bem diferente.
A partir desse experimento, e do monitoramento por meio de tomografia computadorizada do cérebro da dupla de macacos rhesus (macaca mulatta), pesquisadores norte-americanos conseguiram definir o grupo de células responsáveis por esse mecanismo de aprendizado, feito a partir de estímulos visuais.
Depois que os macacos aprenderam a associar uma imagem ao estímulo ruim (ligada ao bafo com odor desagradável) e vice-versa, os cientistas alteraram a experiência inicial. A imagem "boa" foi mostrada antes do cheiro negativo.
Como conseqüência, o grupo de células nervosas acionado na primeira bateria de testes não seguiu o mesmo comportamento. Logo depois da aparição dos estímulos visuais os macacos aprenderam que a associação feita antes havia sido alterada.
A descoberta, feita por um grupo de pesquisadores da Universidade de Colúmbia, e apresentada na edição desta quinta-feira (16/2) da revista Nature, é mais um passo importante na busca do entendimento do funcionamento dos neurônios.
Saber como essas células fazem para enviar ao cérebro mensagens de que um determinado estímulo é bom ou ruim é uma forma importante de descobrir como os macacos aprendem a reconhecer o mundo que existe ao redor deles. Os mesmo mecanismos podem ser extrapolados também para os seres humanos.
O artigo The primate amygdala represents the positive and negative value of visual stimuli during learning pode ser lido, por assinantes, no site: www.nature.com.